Uma idosa de 80 anos foi assaltada com recurso a substâncias químicas em plena luz do dia, na cidade espanhola de Huelva, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira com Portugal. O caso, que ocorreu esta terça-feira, deixou a população local em alerta e está agora a ser investigado pela Polícia Nacional espanhola, segundo aponta o jornal Huelva Información.
O incidente aconteceu quando a idosa se dirigia, como fazia todas as semanas, a uma clínica na Avenida de Itália para um exame de rotina. Eram cerca das dez e meia quando foi abordada por uma jovem, com cerca de 17 anos, que lhe pediu ajuda. “Lembro-me perfeitamente de como ia vestida, com roupa clara, o cabelo apanhado e uma mala ao ombro”, contou a vítima.
De acordo com o seu relato, a rapariga mostrava-se simpática e “não parava de tocar-me na cara e nos braços de forma carinhosa”. Dizia estar perdida e procurava as chamadas “monjitas de San José”. A certa altura, retirou um maço de notas, afirmando tê-lo encontrado e querendo devolvê-lo. Quando a idosa sugeriu contactar a polícia, surgiu uma segunda mulher, entre os 40 e 50 anos, que fingia preocupar-se com a jovem.
Perda de consciência e transporte até casa
A partir desse momento, as recordações da idosa tornaram-se vagas. Lembra-se apenas de um carro escuro, de gama alta e com estofos em pele, que apareceu no local conduzido por um homem cúmplice das duas mulheres. “Levaram-me até casa sem me forçarem. Eu própria lhes disse onde morava e abri a porta. Acho que me drogaram, porque estava desorientada e sem noção do que fazia”, contou ainda.
Já dentro da habitação, a mulher mais velha revistou gavetas e pediu-lhe que entregasse dinheiro e joias. “Dei-lhes dois mil euros em dinheiro e algumas peças de ouro. Eu própria as coloquei num saco para lhes entregar. Estava completamente fora de mim”, lamentou. Segundo acrescentou a mesma fonte, os assaltantes não conseguiram aceder à sua conta bancária apenas porque “nem eu sabia onde tinha guardado o caderno com os dados”.
Denúncia e intervenção médica
Depois de o grupo se ter ido embora, a idosa assaltada continuou a agir como se nada tivesse acontecido. “Até fui às compras”, recordou. Foi a filha quem percebeu que algo não estava bem, quando lhe ligou mais tarde e notou a voz diferente. “A minha mãe parecia fora de si. Quando começou a lembrar-se do que tinha acontecido, fomos de imediato à polícia apresentar queixa”, contou.
A vítima recebeu assistência hospitalar e apresentou ferimentos ligeiros. “Tenho a tensão alta por causa do susto, alguns arranhões nas mãos, porque me arrancaram as pulseiras, e um hematoma numa perna. Devem ter-me empurrado quando me meteram no carro”, explicou. As análises e o relatório médico foram entregues às autoridades espanholas.
Casos semelhantes aumentam preocupação
A família garante que não se trata de um episódio isolado. “Falámos com outra senhora a quem aconteceu o mesmo em setembro. Com este já são quatro casos”, afirmaram. Nas redes sociais, várias pessoas comentaram o sucedido, dizendo conhecer situações parecidas em Huelva e noutras cidades andaluzas.
De acordo com a mesma fonte, a Polícia Nacional espanhola tem um inquérito em curso e, nos últimos dois meses, foram registados outros dois crimes com o mesmo método. As autoridades afastam, contudo, a existência de uma rede criminosa organizada, considerando tratar-se de situações pontuais levadas a cabo por indivíduos que se aproveitam da vulnerabilidade de pessoas idosas.
Medidas de prevenção para pessoas mais velhas
A polícia espanhola disse ainda ao Huelva Información que irá reforçar as ações de sensibilização junto da população sénior, no âmbito do programa Plan Mayor Seguridad, da Secretaria de Estado. Estas sessões visam alertar para furtos e burlas e partilhar conselhos práticos de segurança, sobretudo com quem vive sozinho.
Medo e desconfiança após o assalto
Na manhã seguinte ao crime, a idosa assaltada deslocou-se ao banco para cancelar contas e cartões. “Agora tenho muito medo de estar em casa. Já mudei as fechaduras, mas continuo sem confiança. E cada vez que me lembro do que aconteceu, sinto-me mal”, desabafou.
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