Viajar para outro país não é apenas conhecer os monumentos ou as praias, mas também compreender os costumes locais. Em Espanha, esse imaginário turístico está muitas vezes associado a um jarro fresco de sangria sobre a mesa. Mas, segundo uma piloto espanhola, citada pelo jornal Daily Express, esta bebida tão procurada pelos visitantes de Espanha não passa de um “isco para turistas” e está longe de ser o que os locais pedem quando querem refrescar-se.
A sangria como símbolo turístico
Barcelona, Costa do Sol e Baleares são alguns dos destinos de eleição para milhões de turistas. À chegada, não é raro o primeiro pedido incluir um copo de sangria, bebida de vinho tinto com fruta que se tornou cartão de visita da gastronomia em Espanha.
Contudo, para quem conhece bem os hábitos locais, a cena é mais turística do que autêntica. Maite Pagès, primeira-oficial da companhia aérea Vueling, deixou o aviso: “Aquele jarro gelado é puro isco para turistas. Normalmente, deixamos a sangria para eles”, afirmou.
A piloto aconselha quem viaja a experimentar alternativas mais representativas da cultura espanhola, sublinhando que beber como os locais é também uma forma de se integrar e evitar estereótipos.
O que os espanhóis realmente pedem
Entre as sugestões está o Tinto de Verano, mistura simples de vinho tinto com refrigerante de limão, muito popular nos dias quentes. Outra opção é a Clara, combinação de cerveja com limonada. “São bebidas leves e refrescantes, que fazem parte do quotidiano dos espanhóis”, explicou a piloto, citada pela mesma fonte.
Em Valência, a escolha recai na horchata, bebida vegetal feita a partir de chufa, que os habitantes costumam acompanhar com fartons, doces cobertos de açúcar em pó. A tradição leva inclusive a longas filas nas confeitarias.
A própria sangria tem raízes antigas, de acordo com a mesma fonte. Nos séculos passados, o vinho era misturado com frutas e especiarias para prolongar a sua conservação. O formato atual, com vinho, fruta cortada e um toque de brandy, popularizou-se no século XIX em Espanha e Portugal. Mas só ganhou fama internacional em 1964, na Feira Mundial de Nova Iorque, coincidindo com o boom turístico espanhol.
Nem tudo o que parece espanhol é
Para além desta bebida, há outro hábito que distingue turistas dos residentes de Espanha: o café com gelo. “Não pedimos café gelado como no Reino Unido. Receberá antes um expresso quente e um copo com gelo, para preparar a seu gosto”, disse Maite Pagès.
Segundo a piloto, vale a pena adotar a cultura local e optar por um café con leche pela manhã ou um cortado durante a tarde. “Os espanhóis preferem o café curto, forte e quente. As versões com baunilha ou geladas ficam melhor guardadas para casa”, acrescentou.
Também a refeição de almoço assume um papel central no quotidiano espanhol. Enquanto muitos turistas optam por uma sanduíche rápida, em Espanha é normal parar durante uma a duas horas para comer com calma, quase sempre em horário tardio, segundo aponta o Daily Express.
Um convite a viver como os locais
A piloto defende que abraçar os costumes espanhóis é mais do que uma questão de gosto: é uma forma de enriquecer a experiência de viagem. “Se aproveitarem as tardes mais longas, terão mais energia para desfrutar de jantares ao ar livre, que em Espanha começam tarde e sem pressa, por volta das dez da noite”, resumiu.
No fundo, a mensagem é clara: a sangria e o café com gelo podem ser parte da experiência turística, mas não refletem o dia a dia espanhol. Para viver o país de forma mais autêntica, nada melhor do que beber e comer como fazem os locais.
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