Numa altura em que a demência se tornou um dos maiores desafios de saúde pública na Europa, a localidade de Weesp, nos arredores de Amesterdão, apresenta uma solução: a vila De Hogeweyk, um bairro feito à medida de pessoas com Alzheimer, onde restaurantes, cafés, lojas e até o dinheiro são cenários especialmente concebidos para que os residentes vivam com segurança e se sintam em casa.
Um conceito pioneiro
Criada em 2009, esta foi a primeira “vila da demência” do mundo. Segundo o site informativo Upworthy, desde então o modelo holandês foi replicado em dezenas de países, incluindo Alemanha, Canadá, Japão e Austrália. A ideia é construir um ambiente seguro e familiar onde os doentes possam circular livremente, fazer escolhas e manter rotinas parecidas com as que tinham antes da doença progredir.
Na prática, os doentes vivem em casas partilhadas por grupos de seis a sete pessoas, com cozinhas, salas e quartos decorados ao estilo dos anos 50, 60 ou 70, consoante a geração a que pertencem. Todos os colaboradores, desde quem serve cafés até aos seguranças, são profissionais de saúde treinados em cuidados de memória, mas sem bata nem linguagem clínica. Agem como vizinhos, lojistas ou empregados comuns, criando um ambiente onde os residentes não se sentem institucionalizados.
Na vila nada é o que parece
Para quem visita, é difícil distinguir o que é real do que é encenado. O dinheiro, por exemplo, é simbólico, tal como as compras no supermercado ou os bilhetes para o teatro. Não se trata de enganar os residentes, mas sim de recriar uma realidade funcional, onde a perceção da autonomia é preservada.
Eloy van Hal, um dos fundadores do projeto, explicou que o objetivo central é garantir normalidade e escolha. “É tudo uma questão de liberdade, onde querem estar, com quem e a fazer o quê”, disse, citado pela mesma fonte.
Em vez de corredores fechados, há espaços verdes, bancos de jardim e marcos visuais que ajudam os residentes a orientarem-se sem dependerem de cuidadores constantes. A segurança está garantida, mas sem grades ou portas trancadas.
Resultados que apontam para uma vida com mais dignidade
Apesar de o modelo exigir mais recursos financeiros e humanos, estudos preliminares indicam melhorias no bem-estar emocional e na qualidade de vida dos residentes. Vários familiares relatam que os seus entes queridos passaram de comportamentos agressivos e confusão constante para estados de serenidade, autonomia e até momentos de alegria.
Uma familiar de uma residente partilhou o seu testemunho: “A diferença entre a vida da minha avó num lar tradicional e depois na vila foi simplesmente impressionante. Ela voltou a sorrir, a conversar, a vestir-se sozinha”, relatou, citada pelo site informativo Upworthy.
Um futuro possível?
Apesar de estar longe da realidade da maioria dos lares, o conceito da vila da demência continua a ganhar força em vários países. O envelhecimento da população e o aumento de diagnósticos de Alzheimer tornam inevitável a reflexão sobre se é possível oferecer cuidados sem desumanizar.
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