A preferência de muitos turistas britânicos está a mudar de país: sem abandonarem por completo a costa espanhola, há cada vez mais viajantes do Reino Unido a escolher a Grécia, atraídos por praias mais tranquilas, preços mais controlados e a promessa de “espaço para todos”, segundo relatos divulgados na imprensa e por operadores turísticos.
Durante décadas, o perfil típico do turista britânico foi associado ao trio sol, praia e cerveja, especialmente em destinos do sul da Europa. Essa imagem continua a existir, mas começa a perder força em alguns pontos mais massificados.
Em Espanha, o aumento dos preços e a perceção de praias mais cheias são apontados como fatores que levam parte dos viajantes a procurar alternativas. É neste contexto que a Grécia surge como novo destino de eleição, segundo referências feitas em publicações como o jornal britânico The Sun.
Praias sossegadas e carteira mais leve
A tranquilidade é um dos argumentos mais repetidos por quem troca a Península Ibérica pelas ilhas gregas. Em vez de longas extensões de areia com grande lotação, muitos procuram enseadas com mais espaço, água cristalina e um ambiente mais calmo.
A componente económica também entra na equação. Em ilhas como Thassos, Lefkada e Agistri, são referidos preços baixos para bebidas, incluindo cerveja a rondar cerca de uma libra, algo valorizado por famílias e grupos.
A lógica é simples: quando o custo diário com refeições e consumos aumenta, o destino deixa de parecer “boa relação qualidade-preço”. E, para muitos, a Grécia está a recuperar essa vantagem, sobretudo fora das zonas mais turísticas.
Refeições acessíveis e experiência mais autêntica
Nos custos de alimentação, surgem exemplos que reforçam a tendência. Há quem destaque pratos simples a rondar os cinco euros e opções de marisco, como sardinhas, polvo grelhado ou lulas, entre os 8 e os 12 euros, de acordo com referências atribuídas ao jornal espanhol AS.
A par dos preços, a autenticidade é outro fator apontado. Muitas tabernas são descritas como negócios familiares com várias gerações, com um modelo centrado no acolhimento e num ambiente mais próximo.
Para alguns turistas britânicos, esta diferença pesa tanto quanto o clima do país. A sensação de “ser bem recebido” e de viver algo menos padronizado está a ganhar importância na escolha de férias.
Acesso limitado, menos confusão e foco no ambiente
A própria geografia ajuda a explicar parte do fenómeno. Há praias com acesso apenas a pé ou por táxis aquáticos locais, o que limita a lotação e preserva a paisagem, evitando a sensação de “multidão”.
É também por isso que algumas mensagens promocionais têm ganho tração. Uma agência especializada, a Ionian Island Holidays, é citada com a ideia de que “não será necessário pedir uma espreguiçadeira às 7 da manhã: há espaço para todos”, frase que encaixa no que muitos procuram.
A dimensão ambiental entra igualmente na narrativa. Em 2025, a Grécia foi apontada como um dos países em destaque no número de Bandeiras Azuis atribuídas às praias, um indicador de qualidade balnear que reforça a imagem de destino cuidado.
Espanha perde brilho, Grécia ganha protagonismo
Nada disto significa um “abandono” total do país, que continua a ser um dos destinos fortes para britânicos, a par de Portugal. Mas a mudança de rota sugere um turismo mais sensível ao preço, à experiência e à lotação dos locais.
O que está a acontecer, no fundo, é uma redistribuição: quando um destino encarece e fica mais pressionado, cresce a procura por alternativas semelhantes em clima, mas com custos mais controlados e ritmos mais calmos.
Além disso, a tendência parece estar a alargar-se ao calendário. A procura começa a sair do pico do verão, com mais viagens em épocas intermédias, o que também favorece destinos capazes de manter atratividade fora da “época alta”, de acordo com o AS.
A conclusão é clara: o turismo está a mudar de prioridades. Para muitos britânicos, já não basta sol e praia, a combinação entre tranquilidade, preços e fator humano está a empurrar a Grécia para o centro das escolhas.
















