O Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas, um dos principais pontos de entrada da Europa, foi recentemente alvo de uma operação de fumigação após a deteção de insetos como carrapatos, baratas e percevejos. A notícia, que já circula em vários meios internacionais, causou inquietação entre turistas, sobretudo britânicos, que se preparam para viajar para Espanha nos próximos meses.
Situação foi considerada “limitada”, mas ação foi imediata
A Aena, empresa responsável pela gestão dos aeroportos espanhóis, garante que não houve uma infestação generalizada. No entanto, confirmou a “presença limitada” de insetos em certas zonas do aeroporto de Madrid e assegura que já estão em marcha medidas contínuas de limpeza, desinfeção e prevenção, refere o jornal inglês The Mirror.
Mesmo com essa garantia, vários trabalhadores e passageiros relataram picadas, o que levou a imprensa internacional a classificar a situação como um surto preocupante. A questão ganhou dimensão mediática e gerou alarme sobretudo entre quem se prepara para viajar na época alta.
Recordações indesejadas na bagagem
Os percevejos, embora pequenos, são altamente resistentes e adaptáveis. Alimentam-se de sangue humano e têm uma grande capacidade de se espalhar. Basta uma peça de roupa ou uma mala para os transportar de um lugar para outro, refere a mesma fonte. Hotéis, casas de férias e transportes públicos são locais propícios à sua propagação.
Segundo o especialista britânico Martin Seeley, CEO da empresa MattressNextDay, citado pela fonte anteriormente citada, estes insetos podem sobreviver até um ano sem se alimentarem. Ou seja, mesmo que fiquem escondidos durante algum tempo, podem voltar a atacar meses depois.
Um problema antigo com novo nome
A presença de percevejos não é nova em Espanha, nem em muitos outros países europeus. Contudo, os surtos recentes em locais de grande tráfego, como aeroportos ou estações ferroviárias, reacenderam os alertas. No caso do aeroporto de Madrid, em Espanha, os relatos surgiram já no início de maio, tendo sido primeiro noticiados por jornais espanhóis como o Euro Weekly News. A partir daí, a notícia espalhou-se, com outros meios de comunicação a dar-lhe grande destaque e a falar mesmo no “princípio de um surto”.
Prevenção antes de desfazer a mala
Martin Seeley aconselha todos os viajantes a inspecionarem bem os quartos de hotel antes de se instalarem. Recomenda verificar colchões, roupas de cama, cabeceiras, cortinas e zonas escuras onde os percevejos costumam esconder-se. Os sinais mais comuns são pequenas manchas escuras, ovos brancos ou insetos vivos, geralmente com formato oval e cor acastanhada.
Caso haja suspeita, o mais sensato é informar a receção imediatamente e pedir troca de quarto, aconselha a mesma fonte. No regresso a casa, recomenda-se que a bagagem fique de quarentena e que as roupas sejam lavadas a altas temperaturas.
Um só inseto pode dar origem a centenas
O risco de infestação é elevado porque basta um único percevejo para desencadear um problema sério. As fêmeas podem colocar entre 200 e 500 ovos em apenas dois meses, muitas vezes em grupos que aderem facilmente a tecidos e móveis. É por isso que as autoridades sanitárias aconselham vigilância e ação rápida. Quanto mais cedo for detetada uma infestação, mais fácil será o controlo.
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Fumigação em curso e monitorização reforçada
A Aena esclareceu que a fumigação realizada foi de carácter preventivo e limitada a zonas específicas do terminal. Foram utilizados produtos homologados e os trabalhos foram realizados fora do horário de funcionamento normal, para não afetar o fluxo de passageiros. Além da desinfeção, estão a ser reforçados os protocolos de monitorização e os planos de manutenção diária nas áreas críticas do aeroporto.
Numa altura em que se aproxima a época alta, Espanha volta a enfrentar um desafio sanitário que pode afetar a confiança dos turistas. O aeroporto de Madrid é um dos principais destinos de ligação para voos entre a América Latina e a Europa, além de ser o maior do país em número de passageiros.
A notícia de picadas de percevejos em plena zona de embarque não é o melhor cartão de visita, mesmo com todas as garantias de controlo dadas pelas autoridades.
E em Portugal, há riscos semelhantes?
Apesar de não haver relatos recentes de situações semelhantes em aeroportos portugueses, a Direção-Geral da Saúde tem alertado para a importância de manter elevados padrões de limpeza em locais de grande circulação. Os percevejos não estão associados a falta de higiene, mas sim à facilidade com que se deslocam entre objetos e espaços fechados. Quem viaja com frequência ou regressa de zonas de risco deve manter a vigilância e não ignorar sinais como comichão inexplicável ou marcas avermelhadas no corpo.
Um problema discreto, mas ‘teimoso’
O maior perigo dos percevejos é, talvez, o facto de passarem despercebidos durante muito tempo, refere o The Mirror. Não transmitem doenças conhecidas, mas causam desconforto, perturbações no sono, reações alérgicas e stress psicológico. Nos piores casos, podem obrigar a evacuações de quartos, lavagens industriais e intervenções especializadas, com elevados custos para hotéis, empresas e particulares.
Com informação e cuidado, é possível reduzir bastante o risco. Viajantes atentos, que saibam o que procurar e ajam rapidamente perante sinais suspeitos, são a melhor defesa contra este tipo de praga. Madrid-Barajas, em Espanha, já está a tomar medidas.
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