A União Europeia enfrenta um dilema cada vez mais urgente: como proteger as redes elétricas de falhas de enrgia ou ataques num cenário de tensões geopolíticas crescentes. A resposta poderá passar por medidas pouco convencionais, envolvendo verbas normalmente destinadas à defesa.
Dinheiro da defesa a favor da energia
A ideia surgiu da Eurelectric, associação que reúne as principais empresas de eletricidade da Europa, e que tem vindo a alertar para a vulnerabilidade das redes frente a ataques híbridos e falhas críticas.
De acordo com a Executive Digest, site especializado em economia e negócios, a associação propõe que os Estados-membros aproveitem até 1,5% do Produto Interno Bruto, destinado a compromissos com a NATO, para reforçar a resiliência das redes elétricas e prevenir apagões que podem afetar milhões de cidadãos.
Redes energéticas sob ameaça
Segundo a mesma associação, as infraestruturas energéticas tornaram-se alvos preferenciais de ataques híbridos, envolvendo ações físicas e cibernéticas. Garantir o fornecimento de eletricidade deixou de ser apenas uma questão económica e passou a ser um elemento central da segurança europeia.
Entre as medidas apontadas estão a criação de reservas estratégicas de componentes essenciais, o financiamento de sistemas de deteção e neutralização de drones e o reforço da cibersegurança das redes.
A associação propõe ainda acelerar a capacidade de reparação rápida de infraestruturas danificadas, minimizando o impacto de eventuais incidentes.
Coordenação e resposta rápida
A Eurelectric defende também a realização de exercícios conjuntos entre empresas, autoridades civis e unidades militares. Estes exercícios visam testar a coordenação, a capacidade de resposta e os mecanismos de recuperação em caso de ataques ou falhas graves, segundo a mesma fonte.
Outro ponto em análise é a chamada autonomia estratégica aberta, que procura reduzir dependências externas sem impor custos excessivos às cadeias de fornecimento europeias. O objetivo é equilibrar produção local, segurança de fornecimento e competitividade.
A pressão do setor elétrico surge na véspera da apresentação, pela Comissão Europeia, de um plano de reforço das redes e aceleração da eletrificação do tecido produtivo.
Num momento em que a energia se cruza com a segurança, o debate sobre como prevenir apagões na Europa ganha uma nova urgência, segundo a Executive Digest.
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