O estudo da Antiguidade é interdisciplinar, antropológico e sociológico.
A investigação recorre à epigrafia, estudo das inscrições, à filologia, evolução da língua e dos textos, à linguística sobre características dos idiomas, aos múltiplos contributos de outras ciências sociais, geografia, arqueologia, físico-químicas,…
Influentes religiões monoteístas surgiram na área geográfica mediterrânica, no Médio Oriente em diferentes momentos históricos, entre os séculos XII-XI a.C. e VII d.C., integrando influências e sobreposições de religiosidades anteriores.

Sociólogo
A relação entre as Bíblias, Antigo e Novo Testamento, enquadra-se numa geografia de matriz cultural judaico-cristã
Existia um substrato monoteísta anterior ao aparecimento do mundo cultural grego politeísta. A pré-histórica deusa-mãe, foi incorporada no panteão grego com novas designações, as virgens rurais são expressão da continuidade do fenómeno…
Na lenda mesopotâmica Utnapishtim, herói da epopeia de Gilgamesh, foi incumbido de construir uma barca, tal como Noé no dilúvio do Genesis.
Nas religiões iniciáticas hispânicas aparecem divindades com designações indígenas como o Endovélico da Idade do Ferro, Mitra do período imperial romano.
Os monoteísmos não são história linear, correspondem a necessidades contraditórias de organização social e regulação de comportamentos colectivos.
Estas mutações exigem estudo e compreensão de causas complexas, interligadas, sedentarização, urbanismo, mercantilização, alfabetos, aritméticas,…
Judaísmo, cristianismo e islamismo, provocaram transformações profundas nas relações entre os povos da bacia mediterrânica e continuaram até aos nossos dias.
Designadas como religiões abraâmicas, inspiradas na figura de Abraão do “Genesis”, são provável herança de cultos trazidos nas migrações indo-europeias.
Na passagem do universo mítico naturalista para a explicação filosófico-doutrinal, incorporaram-se hierarquias políticas, militares e sacerdotais, apropriaram-se do fenómeno religioso investindo-se de poderes de representação divina.
Ciclos da natureza, equinócios e solstícios, continuaram como marcadores temporais de festividades e rituais, com características comuns e diferentes designações, hoje surgem formulações contemporâneas da cultura produto.
Mutação extraordinária deu-se com a invenção da escrita.
O profetismo de transmissão oral assumiu o profetismo escrito, textos foram sacralizados, as Bíblias e o Corão, cartas, evangelhos, epístolas…
Bíblia em grego significa livro. A bíblia hebraica, o Antigo Testamento, anunciou a vinda do Messias, foi traduzida em Alexandria três séculos antes do cristianismo.
A Septente, tradução da Bíblia hebraica, foi realizada em Alexandria por 72 tradutores, seis de cada uma das doze tribos. O judaísmo ortodoxo rabínico não a utiliza, crê que Moisés recebeu de Deus a Torá Oral, passada a Torá Escrita.
O Antigo Testamento está dividido em 46 livros, o “Genesis”, sobre a criação do mundo e a história de Adão e Eva, o “Êxodo” narra o nascimento de Moisés e a fuga para o Egipto, o “Levítico” sobre o bem e o mal, rituais, normas, calendário e o “Deuteronómio” com os sermões de Moisés.
O judaísmo é étnico, exclusivo do povo judeu, integra correntes filosóficas ortodoxas, reformadas e ultraortodoxas.
A Bíblia Cristã, o Novo Testamento, relata a vinda do Salvador, nascimento, vida, morte e ressurreição do Messias, Jesus Cristo filho de Deus feito homem.
Em grego a “Boa Nova” é constituída por quatro Evangelhos, considerados sinópticos, de Mateus, Marcos e Lucas, relatos semelhantes da vida de Jesus com características humanas. No Evangelho Segundo João, Jesus Cristo é o Messias.
A relação entre as Bíblias, Antigo e Novo Testamento, enquadra-se numa geografia de matriz cultural judaico-cristã. Jesus Cristo foi um judeu palestiniano, nascido em Belém, representa a continuidade do universo profético original.
O Islão irrompe no século VII d.C, como nova religião, aspiração de tribos árabes excluídas, reescreve as tradições judaico-cristãs e traz a Revelação de Alá pelo Profeta Maomé, o Corão e as suras. Há vinte personagens do mesmo universo bíblico, Abraão/Ibrahim, Moisés/Musa, Jesus/Isa… Após a morte de Maomé surgiram correntes do Islão, carijitas, ismaelitas, sunismo árabe, xiismo persa,…
Cristianismo e judaísmo são evangelizadores e expansionistas.
Com origem em seitas judaicas de baixo extracto social, o cristianismo não considera diferenças étnicas, recusou a condição divina do Imperador romano e os sacrifícios. Surgiu como ideologia da revolução social contra as injustiças.
O cristianismo primitivo foi plural, com considerados textos apócrifos e intensos debates, heresias a partir do Concílio de Niceia (325 d. C) no qual foi introduzida a Trindade, dogmas e exclusões. Nasceu o cristianismo dos seguidores dos apóstolos. A ocupação de Roma pelos bárbaros foi alterada pela nobreza e alto clero proprietários, pelas ordens religiosas e cruzados que foram suporte do feudalismo.
Subdividir-se-á em correntes de cristianismo católico-romano, ortodoxo grego e eslavo, protestante anglo-saxónico, coincide com clivagens geopolíticas actuais.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
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