Philip Pullman, nascido em Norwich, Inglaterra, em 1947, foi catapultado para o sucesso em 1995 com Mundos Paralelos (His Dark Materials no original), trilogia constituída pelos volumes Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, publicados pela Editorial Presença e relançados com novas capas em 2018, quando o autor decidiu regressar a este fantástico universo com La Belle Sauvage, primeiro volume da nova série intitulada O Livro Do Pó.
Ainda criança, o autor viveu no seu país, no Zimbabué e na Austrália. Quando tinha onze anos, a família regressou definitivamente a Inglaterra. Frequentou a Faculdade de Exeter, onde descobriu o seu interesse pela literatura do género fantástico. Teve diversas profissões antes de se tornar professor em Oxford. Dedicou-se então à criação literária, começando por escrever textos de teatro e contos. A partir de 1985 passou a produzir romances, mas foi em 1995 que alcançou o sucesso à escala internacional com Mundos Paralelos. A trilogia, traduzida em mais de 40 línguas e com vendas superiores a 18 milhões de exemplares, foi selecionada como uma das 100 melhores obras de todos os tempos pela revista Newsweek, tendo uma adaptação cinematográfica de êxito mundial com o título A Bússola Dourada.

Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC)
Um dos escritores mais aclamados da atualidade, foi distinguido com vários prémios literários de grande prestígio, incluindo o Carnegie Medal; o Guardian Children’s Book Award; o Whitbread Prize, concedido pela primeira vez a um autor de obras infantojuvenis, e o Memorial Astrid Lindgren Prize, pelo conjunto da sua obra.
O que surpreendeu na nova trilogia, O Livro Do Pó, foi a Acão reportar ao período em que Lyra era apenas bebé, sendo, portanto, anterior às aventuras de Mundos Paralelos, além de que se previa que os próximos livros poderiam saltar para outro tempo distinto.
Em 2026, por estes dias, a Editorial Presença faz chegar às livrarias o terceiro e último volume da segunda trilogia. Trinta anos depois de o mundo conhecer Lyra Belacqua, este livro representa o grandioso desfecho da saga O Livro do Pó e de um dos universos mais marcantes da literatura contemporânea.
Em jeito de pré-publicação leia-se a apresentação e sinopse do livro disponibilizada pela editora no site:
«Lyra: o que farás quando encontrares este lugar no deserto, esta abertura para o mundo das rosas?
– Defendê-lo – disse Lyra. – Morrer a defendê-lo.»
«Quando os leitores deixaram Lyra em A Aliança Secreta, ela estava sozinha, nas ruínas de uma cidade abandonada. Pantalaimon tinha fugido em busca da imaginação que acreditava ter perdido. Desde então, Lyra atravessou o mundo a partir de Oxford, determinada a reencontrar o seu daimon. E Malcolm, sempre fiel, partiu também numa longa jornada, seguindo as Rotas da Seda em busca dela. Em O Campo de Rosas, as suas buscas convergem da forma mais perigosa. Eles terão de recrutar a ajuda de espiões e ladrões, grifos e bruxas, velhos e novos amigos, para desvendarem as verdades profundas e surpreendentes do aletiómetro. À sua volta, o mundo arde, dominado pelo medo, pelo poder e pela ganância. Lyra e Malcolm viajam para este, em direção ao edifício vermelho, onde se voltarão a encontrar e, com sorte, obterão respostas sobre o Pó, sobre as rosas especiais e sobre a imaginação. Contudo, à medida que se aproximam do seu objetivo, aproximam-se também do poderoso Magisterium, que ameaça destruir tudo o que Lyra ama.»
O Livro do Pó – volume 1: La Belle Sauvage
Philip Pullman nasceu em Inglaterra em 1947, foi professor em Oxford e começou a escrever em 1985, alcançando sucesso uma década depois com a trilogia Mundos Paralelos (His Dark Materials), amplamente premiada, traduzida em mais de 40 línguas e com mais de 18 milhões de exemplares vendidos. O primeiro volume da saga foi adaptado ao cinema, com o título A Bússola Dourada, e Nicole Kidman num dos principais papéis.

Quinze anos depois de Os Reinos do Norte ter sido publicado em Portugal, o autor regressou ao mundo encantado de Lyra, sob a chancela da Editorial Presença que tem publicado todos os livros na colecção infanto-juvenil Via Láctea e aproveitou, aliás, entretanto, para reeditar, com novas capas, os volumes da primeira série: Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar.
O Livro do Pó aparenta ser um retomar da trilogia, fazendo-nos recuar no tempo, mas o autor revelou em entrevistas que a acção é paralela. A história da trilogia anterior ficou encerrada, mas ainda há muito a dizer sobre a misteriosa matéria do Pó, e faz reviver a sua jovem heroína, Lyra Belacqua, começando por contar como ela em bebé passa a viver em Oxford, para depois avançar 10 anos em relação à conclusão de Mundos Paralelos.
Numa Inglaterra entre o clássico e o fantástico, o herói da história é agora Malcolm, um jovem aplicado, trabalhador, amigo e sensível, que vive com os pais, a quem ajuda com a sua estalagem, A Truta. Extremamente inquisitivo, quase sempre na companhia dos mais velhos, e sempre mantendo as mãos ocupadas, ajudando como pode nas mais variadas tarefas, Malcolm depara-se com uma surpresa. Numa das suas visitas ao priorado, descobre que as freiras têm a seu cargo uma misteriosa criança. Lyra é apenas um bebé, mas Malcolm fica rendido aos seus encantos e torna-se no seu maior protector. Mais tarde, o nosso jovem herói é avisado de que haverá uma enorme inundação que colocará a região em perigo.
A obra tem um ritmo que, apesar de pretender acelerar com os desenlaces, parece resultar mais lento. No entanto, o universo fantástico está lá: feiticeiras, demónios, engenhos entre o mecânico e o mágico, deuses do rio, e os fantásticos génios com forma de animal que acompanham os humanos e parecem formar um só com eles, como se representassem a sua alma. É neste pormenor que reside a maior originalidade deste mundo encantado imaginado pelo autor. Estes génios acompanham permanentemente os humanos, muitas vezes pousados no seu ombro, com quem formam um par, como se fossem um só, capazes de adquirir formas de animais que se revelam úteis embora tenham uma forma que é normalmente aquela que preferem adoptar e que revela um pouco da sua verdadeira natureza. Asta, o génio de Malcolm, é muitas vezes uma ave.

Não se pense que esta obra é exclusivamente destinada ao público mais jovem. Dado o rigor na recriação de um ambiente histórico, passagens onde se aludem a atos sexuais que não parecem muito adequados aos mais novos, e por vezes alguma linguagem mais gráfica, o autor revela-se muito mais entretido com o ato de contar uma história à criança em nós que queremos manter desperta e interessada.
Aparentemente o segundo volume já se encontrava escrito na altura da publicação do primeiro, e o terceiro em vias de ser concluído, pelo que se pensaria ser possível não ter de aguardar muito tempo pelo desenlace da história, mas a verdade é que o lançamento dos livros foi intermediado por alguns anos.
O Livro do Pó – Volume 2: A Aliança Secreta
Lyra Silvertongue, outrora Lyra Belacqua, é conhecida no mundo dos espíritos. Ao contrário do mundo de Harry Potter não há uma profecia ou uma cicatriz distintiva, mas Lyra Silvertongue é reconhecida e demarca-se no mundo em que se move, com o novo nome que lhe foi concedido por Iorek Byrnison, rei dos ursos. Numa Inglaterra entre o clássico e o fantástico, Lyra, agora uma estudante em Oxford, ainda sem saber tudo aquilo que enreda o seu destino pouco comum, vê-se obrigada a partir agora em direcção ao deserto, em demanda do que lhe é mais precioso… Num mundo que é tão familiar como extraordinário, onde hordas de refugiados tentam chegar à Europa enquanto o mundo parece entrar em guerra por uma questão de rosas, pois há fundamentalistas que acreditam que os óleos e perfumes agradam ao Diabo e ofendem a Deus, a jovem Lyra persegue a miragem de uma cidade habitada apenas por génios e pretende desvendar o mistério do Pó.
O leitor abre a medo o Volume 2 de O Livro do Pó: A Aliança Secreta, sabendo que a intriga se situa agora quando Lyra tem 20 anos. Mas rapidamente se percebe que Philip Pullman consegue a dupla proeza de contar uma história tão cativante quanto imaginativa ao mesmo tempo que pega em algumas pontas soltas das narrativas anteriores. Reencontramos assim o jovem Malcolm de La Belle Sauvage, que aos 11 anos salvou Lyra num barco, agora com 30 anos, ainda um protector bem como um espião, e ainda ficamos a saber que a vida de Lyra e do seu génio Pantalaimon tem sido muito pouco pacífica desde a sua aventura, 10 anos antes, no Ártico, numa luta contra o mal que envolveu feiticeiras, espectros, crianças ciganas e ursos blindados.

Esta narrativa imaginativa, numa prosa límpida e erudita, agarra o leitor sem abrandar o ritmo por mais de 500 páginas, num livro que consegue a fabulosa proeza de apelar a leitores de todas as idades, em que Philip Pullman se revela exímio a contar uma história à criança em nós que queremos manter desperta. O escritor recebeu aliás, entre outras distinções literárias, o Prémio Whitbread, atribuído pela primeira vez a um autor de obras infantojuvenis. A própria linguagem é, por vezes, pouco adequada a crianças, talvez porque Pullman escreve, na verdade, para os leitores dos seus primeiros livros de há cerca de 20 anos, hoje adultos. A Bertrand Editora publicou também Contos de Grimm para todas as idades, deste mesmo autor, onde reconta os seus cinquenta contos favoritos dos irmãos Grimm, obra que contamos apresentar em breve.


















