A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) confirmou uma atualização de 1,5% no preço do gás natural a partir de 1 de outubro de 2025. Esta alteração terá impacto direto na fatura mensal da maioria dos consumidores domésticos, com aumentos que oscilam entre 0,36 e 0,21 euros, consoante o perfil de consumo.
O acréscimo insere-se na revisão anual das tarifas reguladas, e abrange tanto clientes no mercado regulado como os que têm contrato no mercado liberalizado.
Impacto no mercado regulado
De acordo com a ERSE, os consumidores domésticos no mercado regulado verão aumentos médios em função do escalão de consumo. Para um casal sem filhos, com um consumo anual de 1.610 kWh, a fatura mensal passará para 16,38 euros, mais 0,36 euros do que em setembro. Já no caso de um casal com dois filhos, com um consumo anual de 3.407 kWh, a nova fatura rondará os 30,73 euros, representando uma subida de 0,21 euros.
Estes valores servem de referência para perfis-tipo usados pelo regulador e permitem antecipar o impacto prático da revisão tarifária.
Mercado liberalizado: o que esperar?
Para os consumidores com contrato no mercado liberalizado, os preços finais variam conforme o comercializador e a oferta contratualizada. No entanto, segundo a ERSE, há um fator comum a todos: as chamadas tarifas de Acesso às Redes.
Estas tarifas reguladas são aplicadas a todos os consumidores, independentemente do fornecedor, e representam os custos associados ao uso das infraestruturas da rede de gás. Em outubro, entram em vigor os novos valores, influenciando as faturas, mesmo no mercado liberalizado.
Aumento na Baixa Pressão
Segundo a mesma fonte, para os consumidores em Baixa Pressão com consumos até 10.000 m³ por ano, que abrangem a generalidade dos consumidores domésticos, o aumento nas tarifas de Acesso às Redes será de 0,34 cêntimos de euro por kWh.
Este valor será refletido nas atualizações dos tarifários por parte dos comercializadores, que tendem a rever as suas ofertas sempre que entram em vigor novas tarifas reguladas.
Subida menor para consumidores não-domésticos
No caso dos consumidores ligados em Alta Pressão (como unidades industriais), Média Pressão ou Baixa Pressão com consumos superiores a 10.000 m³ por ano, a variação das tarifas será inferior.
A ERSE estima aumentos entre 0,03 e 0,15 cêntimos de euro por kWh, consoante o perfil de consumo e o nível de pressão.
A figura disponibilizada pelo regulador mostra a evolução destas tarifas desde 2021, refletindo um padrão de variações moderadas nos últimos anos.
Como reduzir o impacto da subida?
Apesar de o aumento parecer pouco significativo, é possível aplicar estratégias para mitigar o seu efeito. Entre as medidas sugeridas está a melhoria da eficiência dos equipamentos a gás, como substituir esquentadores antigos por modelos com classificação energética A ou superior.
Também é aconselhável ajustar a temperatura da água quente, reduzir o tempo de utilização dos aparelhos e evitar perdas de calor através de janelas e portas mal isoladas.
Verifique o seu escalão e consumo
Muitos consumidores desconhecem que podem estar num escalão de consumo desajustado ao seu perfil real. Confirmar junto do fornecedor e solicitar a atualização do escalão pode reduzir custos fixos desnecessários.
Consultar regularmente a fatura e identificar os componentes de custo (energia, taxas, IVA) também ajuda a perceber onde estão os maiores encargos.
Compensa mudar de fornecedor?
Se estiver no mercado liberalizado, comparar tarifários continua a ser uma forma eficaz de poupança. A mudança de comercializador é gratuita, sem interrupção do fornecimento e pode ser feita online.
O ideal é usar simuladores independentes que incluam os valores atualizados das tarifas de Acesso às Redes e permitam comparar preços reais.
Informação ajuda a decidir melhor
A ERSE disponibiliza informação atualizada sobre tarifas e condições de fornecimento no seu site, incluindo guias explicativos e perguntas frequentes. A recomendação é que os consumidores acompanhem estas alterações para tomarem decisões mais informadas.
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