A remuneração dos Certificados de Aforro da Série F deverá atingir em setembro o limite máximo de 2,5%, tornando este instrumento de poupança do Estado mais atrativo para quem procura uma alternativa aos depósitos bancários. A subida está relacionada com a evolução da Euribor a três meses, usada no cálculo da taxa base, que tem vindo a aumentar nos últimos meses.
O valor definitivo da taxa de setembro só será conhecido depois de concluído o período de referência utilizado no cálculo. No entanto, a evolução registada pelas taxas Euribor permite antecipar que o teto de 2,5% será alcançado. De acordo com o Expresso, o máximo que estava inicialmente previsto para junho acabou por ser adiado devido a uma subida menos rápida das Euribor.
O que muda para quem tem Certificados de Aforro
A taxa base desta série é revista todos os meses e resulta da média da Euribor a três meses observada nos dez dias úteis anteriores ao antepenúltimo dia útil de cada mês. O resultado é arredondado à terceira casa decimal e está sujeito ao limite máximo definido pelo Estado. Na Série F, esse teto é de 2,5%, abaixo dos 3,5% que vigoravam na Série E.
Porém, atingir esse valor não significa que o aforrador fique com uma taxa de 2,5% garantida durante todo o período do investimento. Na prática, a remuneração acompanha a evolução das taxas de juro. Se a Euribor continuar a subir, a taxa dos Certificados de Aforro poderá acompanhar essa tendência, mas uma descida terá o efeito contrário.
A remuneração pode, contudo, ser reforçada pelos prémios de permanência. Estes começam nos 0,25% entre o segundo e o quinto ano e aumentam progressivamente até aos 1,75% nos dois últimos anos. Os juros são capitalizados trimestralmente e o investimento pode ser resgatado depois de cumprido o primeiro vencimento de juros.
Quanto pode ser investido
O montante mínimo de subscrição é de 100 euros. Já o limite máximo por aforrador foi aumentado este ano de 100.000 para 250.000 euros, permitindo uma aplicação significativamente superior na Série F.
Além disso, a capitalização automática dos juros permite que os rendimentos obtidos sejam reinvestidos no próprio produto. Assim, o aforrador não precisa de fazer novas aplicações para beneficiar do efeito de capitalização ao longo do tempo. A rentabilidade efetiva dependerá, naturalmente, da evolução futura das taxas e do período durante o qual o dinheiro permanecer aplicado.
Mais dinheiro entrou nos Certificados de Aforro
A maior remuneração tem sido acompanhada por um aumento do dinheiro colocado neste produto. Em julho, o montante aplicado em Certificados de Aforro atingiu 43,9 mil milhões de euros, um novo máximo histórico e mais do triplo do valor registado no final de 2021.
Entretanto, surgiu uma alternativa dentro dos próprios produtos de dívida destinados aos pequenos aforradores. O Estado lançou uma nova série de Certificados do Tesouro, procurando aproximar a remuneração dos dois instrumentos. Apesar disso, os primeiros dados não apontam para uma recuperação das subscrições deste produto.
Segundo o Expresso, o montante aplicado em Certificados do Tesouro diminuiu cerca de 28 milhões de euros em julho, para 6,5 mil milhões. Embora o Ministério das Finanças tenha indicado que a nova série captou 298 milhões de euros no primeiro mês e atraiu 8300 aforradores, os dados do Banco de Portugal mostram que, no balanço global, saiu mais dinheiro do que aquele que entrou.
Depósitos continuam a liderar
Apesar da maior rentabilidade dos Certificados de Aforro, os depósitos bancários continuam a concentrar a maior fatia da poupança das famílias portuguesas. No final de julho, os particulares tinham 205,3 mil milhões de euros aplicados em depósitos, o valor mais elevado desde o início da série estatística.
A diferença está também na remuneração oferecida. Em abril, a taxa média dos novos depósitos a prazo era de 1,55%, abaixo da taxa máxima prevista para os Certificados de Aforro. Ainda assim, a inflação próxima dos 3% significa que o retorno real dos depósitos permanece negativo.
A evolução dos juros do Banco Central Europeu poderá alterar este cenário. O BCE manteve as taxas de referência na reunião de julho, mas existe uma forte expectativa de uma nova subida em setembro. De acordo com o Expresso, o ECB Watch aponta para uma probabilidade de 95% de esse movimento acontecer no próximo encontro.
Se os juros europeus voltarem a subir, os depósitos poderão também beneficiar de uma melhoria das taxas oferecidas pelos bancos. Contudo, essa reação tende a ser mais lenta nas instituições tradicionais do que nos bancos digitais. Ao mesmo tempo, a evolução da Euribor continuará a ser determinante para a remuneração dos Certificados de Aforro.
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