A evolução dos preços do petróleo voltou a refletir tensões geopolíticas e decisões estratégicas dos grandes produtores, num dia marcado por declarações dos Estados Unidos sobre a Venezuela e pela confirmação da OPEP+ de que irá manter os níveis de produção inalterados até abril.
Os preços do petróleo registaram quedas ligeiras esta segunda-feira, depois de o presidente dos Estados Unidos ter exigido “acesso total” aos recursos naturais da Venezuela e de a OPEP+ ter confirmado que não irá alterar a oferta de crude no curto prazo. Após uma abertura em alta, os mercados inverteram a tendência ao longo da manhã.
O Brent, petróleo de referência na Europa, descia cerca de 0,6% pelas 06:00, hora de Lisboa, para valores próximos dos 60,4 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, recuava cerca de 0,5%, para perto dos 57 dólares por barril, antes da abertura formal do mercado norte-americano, de acordo com a agência internacional de notícias Reuters.
Exigência de Washington sobre os recursos venezuelanos
No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu à nova líder venezuelana, Delcy Rodríguez, “acesso total” aos recursos naturais do país sul-americano, com especial destaque para o petróleo.
“O que precisamos é de acesso total. Acesso total ao petróleo e a outras coisas no país que nos permitirão reconstruir o país”, afirmou Trump, numa declaração que teve impacto imediato nos mercados energéticos.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas grande parte da sua produção é composta por crude pesado, mais difícil e dispendioso de refinar, o que torna o seu escoamento dependente de infraestruturas específicas.
Interesse dos EUA no crude pesado da Venezuela
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, explicou que um dos principais interesses da administração Trump passa precisamente por refinar o petróleo bruto pesado da Venezuela nas refinarias dos Estados Unidos, de acordo com a mesma fonte.
Segundo Rubio, as refinarias localizadas na Costa do Golfo estão entre as mais bem preparadas do mundo para processar este tipo de crude. O responsável sublinhou ainda que existe atualmente uma escassez global de petróleo bruto pesado, o que poderá gerar uma forte procura por parte da indústria privada caso sejam criadas condições para esse acesso.
“As nossas refinarias na Costa do Golfo são as melhores para refinar este petróleo bruto pesado. Tem havido escassez deste tipo de petróleo em todo o mundo, o que abre espaço a um enorme interesse da indústria”, afirmou em declarações à televisão norte-americana.
Decisão da OPEP+ e o impacto na oferta mundial
Entretanto, horas antes, a OPEP+ confirmou que irá manter estáveis os níveis de produção de petróleo pelo menos até abril, numa decisão tomada durante uma breve reunião por videoconferência.
O encontro juntou ministros da Energia e do Petróleo de países como a Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. Estes oito países têm sido centrais na estratégia de controlo da oferta global.
Em 2023, este grupo avançou com cortes voluntários na produção para sustentar os preços do crude. No entanto, a partir de abril do ano passado, começou a inverter gradualmente essa política, com aumentos mensais destinados a recuperar quota de mercado, refere a Reuters. No total, entre abril e dezembro, o aumento da produção ascendeu a cerca de 2,9 milhões de barris por dia, o que corresponde a aproximadamente 2,8% da produção mundial, um fator que continua a exercer pressão sobre os preços internacionais do petróleo.
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