As novas tabelas de retenção na fonte de IRS, já publicadas pelo Governo e em vigor desde o início de 2026, vão traduzir-se num aumento do rendimento líquido mensal para muitos trabalhadores e pensionistas. Em alguns casos, a poupança pode chegar aos 22 euros por mês, segundo simulações realizadas pela consultora EY e divulgadas pelo ECO, site especializado em economia.
As tabelas agora aplicáveis refletem várias alterações fiscais introduzidas para este ano, incluindo a atualização dos escalões de IRS em 3,51 por cento, a subida do mínimo de existência para 12.880 euros e o aumento do salário mínimo nacional para 920 euros. Estas mudanças têm impacto direto no valor de imposto retido mensalmente sobre salários e pensões.
De acordo com a mesma fonte, o despacho publicado em Diário da República determina também a atualização do limite de rendimentos até ao qual não existe obrigação de retenção na fonte.
Em 2026, trabalhadores e pensionistas com rendimentos até 920 euros mensais ficam dispensados de qualquer desconto de IRS, acompanhando a subida do salário mínimo nacional.
Quem ganha menos sente o efeito imediato
Um dos exemplos mais claros é o de um trabalhador solteiro, sem filhos, que aufira um salário bruto de 920 euros.
Em 2025, este contribuinte ainda estava sujeito a uma retenção mensal de cerca de 21 euros. Em 2026, passa a ficar totalmente isento, o que se traduz num aumento direto do rendimento líquido mensal nesse mesmo valor.
Segundo as simulações da EY citadas pelo ECO, também quem aufere salários intermédios beneficia do novo enquadramento. Um solteiro sem dependentes com um salário bruto de 1.500 euros descontava, nos últimos meses de 2025, cerca de 181 euros por mês em IRS. Com as novas tabelas, a retenção baixa para 168 euros, permitindo uma poupança mensal de 13 euros.
Famílias com dependentes também ganham
Nos agregados familiares com filhos, o efeito das novas tabelas também é visível. Um trabalhador solteiro com um dependente e um salário bruto de 2.500 euros passa a reter menos 20 euros por mês em IRS.
Já no caso de um rendimento mais elevado, de cinco mil euros mensais, a poupança pode atingir os 22 euros, com a retenção a baixar de 1.440 para 1.418 euros.
Entre os contribuintes casados, os efeitos variam consoante o rendimento e a composição do agregado. Um casal com dois titulares e um dependente, a auferir 3.000 euros brutos mensais, vê a retenção baixar em cerca de 21 euros.
De acordo com a mesma fonte, mesmo rendimentos elevados beneficiam do ajustamento. Um agregado com dois titulares, dois filhos e um salário bruto mensal de dez mil euros regista uma poupança mensal de 22 euros.
E os pensionistas?
As novas tabelas de retenção aplicam-se também às pensões. Conforme explica a publicação, um pensionista solteiro sem dependentes, com uma pensão de 920 euros, continua isento de retenção na fonte. Quem recebe 1.500 euros mensais pode contar com uma poupança de cerca de quatro euros por mês.
Nos escalões mais elevados, o efeito é mais expressivo. Um reformado com uma pensão de três mil euros vê o rendimento líquido aumentar em cerca de 14 euros, enquanto pensões de cinco mil ou dez mil euros registam um acréscimo mensal próximo dos 15 euros.
O que estas contas não incluem
Importa sublinhar que estas simulações dizem respeito apenas à retenção na fonte de IRS. Como recorda o ECO, os trabalhadores continuam sujeitos ao desconto de 11 por cento para a Segurança Social, valor que não é alterado por estas tabelas.
As novas taxas de retenção aplicam-se já aos salários e pensões processados desde janeiro de 2026. O impacto final no acerto de contas com o Fisco só será conhecido na liquidação anual do IRS, mas, mês a mês, muitos contribuintes vão sentir um ligeiro alívio no rendimento disponível.
















