Usar uma caixa automática é um gesto tão habitual que muitos consumidores já nem olham com atenção para a máquina. Inserem o cartão, introduzem o PIN e fazem a operação em poucos segundos. No entanto, é precisamente essa rotina que pode ser aproveitada por criminosos para clonar cartões Multibanco.
De acordo com o portal especializado em tecnologia, 4gnews, a clonagem de cartões em caixas automáticas, conhecida como skimming, continua a ser uma das formas de fraude bancária mais conhecidas. O esquema passa pela instalação de dispositivos falsos no terminal, capazes de copiar dados do cartão e recolher o código introduzido pelo utilizador.
Como funciona o esquema
No método mais comum, os criminosos colocam um leitor falso na ranhura onde o cartão é inserido. Esse dispositivo copia os dados do cartão sem que o utilizador perceba que algo está errado.
Ao mesmo tempo, pode existir uma pequena câmara escondida perto do teclado para gravar o PIN. Em alternativa, os criminosos podem usar um teclado falso sobreposto ao original, capaz de registar os números pressionados.
Com estes dados, os burlões conseguem clonar o cartão e tentar usá-lo noutros locais. Muitas vítimas só dão conta do problema dias depois, ao consultarem o extrato bancário ou receberem alertas de movimentos suspeitos.
O que deve verificar antes de usar
Antes de inserir o cartão, há um gesto simples que pode fazer a diferença. Tente mexer ligeiramente a ranhura do cartão e observe se está bem fixa, alinhada e com o mesmo aspeto do resto da máquina.
Também deve olhar para o teclado. Se parecer sobreposto, tiver folga, estiver desalinhado ou diferente do habitual, é melhor não usar a caixa automática. Pequenos orifícios, peças estranhas junto ao ecrã ou objetos mal encaixados também podem ser sinais de alerta.
Esta verificação demora poucos segundos, mas pode evitar que os dados bancários sejam roubados. Em caso de dúvida, o mais seguro é cancelar a operação e procurar outro terminal.
Locais onde o risco pode ser maior
Em Portugal, a rede Multibanco tem mecanismos de proteção contra este tipo de fraude, mas o risco não desaparece por completo. A atenção deve ser maior em caixas automáticas independentes, locais pouco vigiados, zonas turísticas ou postos de combustível isolados.
Sempre que possível, é preferível usar caixas automáticas instaladas dentro ou junto de agências bancárias. Estes locais tendem a ter mais vigilância e manutenção regular.
Em viagens ao estrangeiro, o cuidado deve ser redobrado. Os sistemas de proteção variam de país para país e este tipo de fraude continua a ser comum em alguns destinos turísticos.
Pagamentos digitais reduzem exposição
Uma forma de reduzir o risco é usar pagamentos por telemóvel, como Apple Pay ou Google Pay, sempre que possível. Estes sistemas usam tokenização, o que significa que o número real do cartão não é transmitido na operação.
Mesmo assim, os pagamentos digitais não eliminam todos os riscos. Nas compras online, existe também o chamado e-skimming, em que páginas de pagamento falsas ou comprometidas podem recolher dados bancários.
Por isso, além de verificar caixas automáticas, deve ter cuidado com lojas desconhecidas, links enviados por mensagens e páginas que pedem dados do cartão fora de ambientes seguros.
O que fazer se suspeitar de fraude
Se encontrar algo estranho numa caixa automática, não tente retirar ou mexer no dispositivo suspeito. Afaste-se, contacte o banco ou as autoridades e, se for seguro, registe a situação à distância.
Se já inseriu o cartão e ficou com dúvidas, bloqueie-o de imediato através da aplicação do banco ou da linha de apoio. Depois, peça a emissão de um novo cartão e acompanhe os movimentos da conta.
Também é aconselhável ativar notificações bancárias no telemóvel. Assim, qualquer pagamento ou levantamento suspeito pode ser detetado mais depressa.
No fim, a regra é simples: antes de usar uma caixa automática, olhe, toque com cuidado e confirme se tudo parece normal. Dez segundos de atenção podem evitar uma fraude difícil de resolver.
Leia também: Para breve em Portugal? Proibição das redes sociais para cidadãos abaixo desta idade ganha força na Europa















