A prata voltou a atingir um novo máximo histórico, ao ultrapassar os 61,61 dólares por onça esta terça-feira, num movimento que reforça a rapidez com que este metal precioso se tem valorizado ao longo de 2025.
De acordo com dados da Bloomberg compilados pela agência espanhola EFE, a subida foi registada por volta das 06h48, hora de Lisboa, num dia marcado pela especulação de que a Reserva Federal norte-americana poderá anunciar uma descida das taxas de juro. Minutos depois, o valor estabilizou nos 61,49 dólares, sem perder, no entanto, o estatuto de novo recorde.
A prata já valorizou 110% desde o início do ano, o melhor desempenho desde 1979, quando a cotação disparou mais de 430%. Tal como o ouro, o metal tem beneficiado de um clima internacional de instabilidade e de uma procura crescente ligada à indústria tecnológica e à transição energética.
A influência das taxas de juro e da política monetária
Segundo a BBC, fonte inglesa de notícias do mundo, uma das forças decisivas para esta escalada é a expectativa de que o banco central dos Estados Unidos venha a cortar as taxas de juro. Quando isso acontece, a atratividade de manter dinheiro parado ou investir em obrigações de curto prazo diminui, levando muitos investidores a procurar ativos alternativos como o ouro e a prata.
De acordo com Yeow Hwee Chua, da Nanyang Technological University, esta mudança “empurra naturalmente a procura para ativos vistos como reserva de valor”, fenómeno que agora voltou a ganhar força.
A valorização da prata também acompanha o desempenho do ouro, que este ano ultrapassou os 4.000 dólares por onça pela primeira vez. Segundo a mesma fonte, parte deste impulso resulta das compras significativas feitas por bancos centrais e de um reforço generalizado das reservas em metais preciosos.
Procura industrial supera a oferta disponível
Para além do interesse dos investidores, a procura industrial tem desempenhado um papel decisivo. A BBC refere que a prata é amplamente utilizada na produção de painéis solares, automóveis elétricos e baterias avançadas, devido à sua excelente condutividade elétrica. Kosmas Marinakis, da Singapore Management University, lembra que a prata “não é apenas um ativo financeiro, mas também um recurso físico”, cuja utilização tem vindo a aumentar em vários setores estratégicos.
A oferta, porém, está longe de acompanhar o ritmo da procura. Segundo a publicação, a maioria da prata mundial é extraída como subproduto de minas dedicadas principalmente a outros metais, como cobre, chumbo ou ouro, o que limita a capacidade de aumentar rapidamente a produção.
Tensões comerciais e receios sobre tarifas aumentam pressão nos preços
A BBC acrescenta que os receios de que os Estados Unidos possam impor tarifas à prata, no âmbito da política comercial da administração Trump, têm levado a uma corrida ao armazenamento do metal, pressionando ainda mais os preços.
Com os EUA a importarem cerca de dois terços da prata que consomem, vários fabricantes têm acelerado a compra de reservas para evitar interrupções nas suas cadeias de produção, provocando escassez noutros mercados.
Os especialistas antecipam que esta tendência de alta poderá perdurar nos próximos meses. A combinação entre procura crescente, incerteza económica global e expectativas de descidas das taxas de juro cria um cenário que continua a favorecer o brilho da prata nos mercados internacionais.
















