Ir para fora cá dentro pode já não ser a escolha mais económica para as férias de verão. Dados recentes mostram que um destino paradisíaco como as Caraíbas estão a competir diretamente com o Algarve, tanto em atratividade como em preços. O fenómeno está a alterar os padrões de consumo turístico em Portugal e a preocupar o setor hoteleiro nacional.
A procura por viagens ao estrangeiro aumentou 15% no primeiro trimestre de 2025, face ao mesmo período do ano anterior. O principal motivo? Preços competitivos que, por vezes, ultrapassam em acessibilidade os praticados no mercado nacional.
Viagens de médio-longo curso em alta
Marrocos, Tunísia e Cabo Verde são três dos destinos de média distância mais procurados. Já no que toca a viagens de longo curso, a República Dominicana, o México e a Jamaica lideram as preferências dos portugueses, segundo a mesma fonte.
Miguel Quintas, representante da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), destaca Cabo Verde como um dos destinos com maior volume de vendas no início deste ano. O arquipélago africano tem conquistado turistas nacionais, combinando clima tropical com ofertas em regime tudo incluído a preços considerados acessíveis.
Algarve ultrapassa os 1.500 euros por semana
Uma semana de férias no Algarve, entre junho e agosto, ronda atualmente os 1.500 euros. Este valor, considerado elevado por muitos consumidores, aproxima-se ou até ultrapassa os custos de uma viagem para destinos de luxo nas Caraíbas.
Na República Dominicana, por exemplo, é possível encontrar pacotes de sete dias em hotéis de cinco estrelas com preços entre os 1.100 e os 1.700 euros, acrescenta a publicação. Este destino paradisíaco começa assim a posicionar-se como uma alternativa direta ao sul de Portugal.
Concorrência direta ao turismo interno
Este novo cenário está a influenciar as decisões de muitos portugueses, que comparam mais e ponderam as opções antes de reservar. Os pacotes internacionais oferecem frequentemente voos, alojamento, alimentação e transferes incluídos, o que lhes confere uma relação custo-benefício atrativa.
Há atualmente produtos turísticos para o estrangeiro com preços a partir dos 400 a 500 euros. Estas ofertas abrangem sobretudo períodos de época baixa ou campanhas promocionais específicas, permitindo aceder a um destino paradisíaco sem comprometer o orçamento.
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Preço não é o único fator em jogo
Além da questão económica, outros fatores pesam na escolha. A possibilidade de conhecer novas culturas, usufruir de hotéis com mais serviços incluídos e a previsibilidade climática de alguns destinos tropicais têm contribuído para esta mudança de preferências.
Explica a ANAV que o mercado português está mais informado, utiliza plataformas digitais para simular preços e demonstra uma maior flexibilidade para viajar para fora do país, mesmo em férias mais curtas. Um destino paradisíaco, com tudo incluído e sol garantido, torna-se assim uma escolha cada vez mais lógica para muitos.
Impacto no setor hoteleiro nacional
Para as unidades hoteleiras do Algarve, esta realidade representa um desafio acrescido. Com a inflação, os custos operacionais subiram, refletindo-se nas tarifas. Apesar disso, muitos hotéis continuam com níveis elevados de ocupação, embora a competição internacional se torne mais agressiva a cada ano.
Escreve a SIC Notícias que a discrepância de preços entre destinos nacionais e internacionais está a obrigar o setor nacional a repensar estratégias. A diferenciação pela qualidade do serviço, experiências exclusivas e a valorização dos recursos locais podem ser caminhos para manter a atratividade.
O papel das agências de viagem na decisão
As agências de viagem desempenham um papel relevante na orientação do consumidor, oferecendo pacotes fechados com garantias que muitas vezes não estão disponíveis em reservas autónomas feitas online. Esta confiança e conveniência acabam por pesar na decisão final.
Mesmo com a expansão das reservas diretas, a intermediação especializada continua a ser valorizada, sobretudo quando se trata de viagens para fora da Europa, onde as questões logísticas são mais complexas.
Algarve continua a ser aposta para muitos
A ANAV no entanto, sublinha que apesar do aumento da procura por destinos estrangeiros, o Algarve mantém um lugar de destaque na preferência dos portugueses e estrangeiros, graças à sua oferta diversificada, acessibilidade e familiaridade.
Ainda assim, a pressão competitiva vinda do exterior poderá vir a influenciar os preços a médio prazo, sobretudo se o custo de vida continuar a afetar o poder de compra das famílias.
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