Com os avanços acelerados da Inteligência Artificial (IA), várias profissões estão a ser colocadas em causa em diferentes setores. A profissão de recrutador poderá desaparecer num prazo de seis a doze meses, segundo Aravind Srinivas, diretor executivo da Perplexity, uma startup norte-americana especializada em IA. Também os assistentes executivos estarão em risco de extinção, à medida que os novos modelos se tornem capazes de executar, de forma autónoma, tarefas tradicionalmente desempenhadas por humanos.
Citado pela ZAP, Srinivas alertou para os efeitos imediatos da nova geração de modelos de linguagem avançada, como o ChatGPT, o Claude 4.5 ou o futuro GPT-5. Na sua perspetiva, esta tecnologia irá substituir algumas funções administrativas já nos próximos meses, provocando mudanças significativas no mercado de trabalho.
O responsável da Perplexity acredita que a automatização deixará de ser apenas uma ferramenta de apoio e passará a ser uma alternativa real a profissões ligadas à gestão de agendas, organização de reuniões, filtragem de perfis ou envio de comunicações.
Substituir pessoas com IA
A empresa liderada por Srinivas está atualmente a desenvolver o Comet, um browser com inteligência artificial integrada, que será capaz de executar tarefas do início ao fim, sem qualquer intervenção humana. A ferramenta está a ser concebida para pesquisar, cruzar dados, redigir textos e comunicar com utilizadores de forma personalizada, com vista à eliminação de tarefas repetitivas.
Entre as funções previstas está a gestão de calendários, a coordenação de reuniões, o envio de resumos automáticos e até a resolução de conflitos de horários, com acesso direto a plataformas como o Gmail e o Google Calendar. De acordo com a mesma fonte, o objetivo é que o navegador atue em segundo plano, substituindo progressivamente assistentes humanos em diversas áreas.
De acordo com Srinivas, tudo poderá ser feito de forma fluida e autónoma já dentro de seis a doze meses. “IA fará tudo dentro de um ano”, afirmou, citado pela fonte anteriormente mencionada.
Impacto direto no emprego
Esta previsão do responsável da Perplexity insere-se num debate mais alargado sobre o impacto da inteligência artificial na estrutura tradicional do trabalho. Esta evolução poderá deixar milhares de profissionais sem função definida, uma vez que nem todos terão capacidade para transitar para papéis de supervisão ou direção de sistemas automatizados.
A mudança será especialmente visível em setores que dependem de tarefas rotineiras ou estruturadas. O modelo proposto por Srinivas prevê que os humanos deixem de executar diretamente essas tarefas e passem apenas a definir objetivos, enquanto os agentes de IA tratam da concretização.
Apesar da gravidade do alerta, o CEO da Perplexity apresenta uma visão otimista: acredita que este avanço permitirá que as pessoas dediquem mais tempo ao lazer e menos a tarefas intelectuais ou operacionais.
Um “apocalipse laboral” anunciado?
Segundo aponta a ZAP, o fundador da Nvidia, Jensen Huang, foi um dos que recentemente alertou que “a IA vai mudar o emprego de todas as pessoas do mundo”. Já o senador norte-americano Bernie Sanders falou num verdadeiro “apocalipse IA”, referindo-se à ameaça de uma perda massiva de postos de trabalho a nível global.
No caso específico dos recrutadores, Aravind Srinivas considera que a sua extinção não se deverá apenas à substituição por sistemas automáticos. Na sua opinião, deixará também de haver pessoas para recrutar, à medida que os próprios processos laborais se tornarem digitais, descentralizados e geridos por software.
















