O aumento dos furtos de laranja no Algarve está a preocupar produtores da região, sobretudo no concelho de Silves, onde várias explorações agrícolas relatam perdas de grande dimensão nas últimas semanas. De acordo com o Correio da Manhã, alguns agricultores falam já em dezenas de toneladas levadas de pomares, num fenómeno que se intensifica com a chegada do verão.
A situação coincide com o reforço do movimento turístico na região e, segundo os produtores, a fruta roubada estará a ser escoada em vendas ambulantes ao longo da EN125, uma das vias mais movimentadas do Algarve.
Milhares de euros em prejuízo
Um dos casos mais expressivos é o da empresa Parafrutas, onde os responsáveis estimam perdas de cerca de 20 toneladas apenas num dos pomares. Nuno Evangelista, filho do proprietário, fez as contas ao impacto financeiro. “Estimamos um prejuízo na ordem dos 20.000 euros”, afirmou ao jornal, explicando que a produção nesta fase da campanha está orientada para exportação para mercados europeus.
Embora os roubos tenham ocorrido de forma pontual desde o início da campanha agrícola 2025/2026, a situação agravou-se nos últimos dias. Bruno Januário, encarregado da mesma empresa, garante que o ritmo subiu de forma significativa. “Na última semana tem sido demais. Em oito dias apanhámos seis pessoas a roubar nas nossas propriedades”, revelou, descrevendo um cenário que começa a preocupar todo o sector.
Venda ilegal levanta alertas
Os produtores acreditam que os furtos são feitos por grupos organizados, com destino direto às bancas improvisadas junto à estrada. Para além da perda económica, há outra preocupação: a segurança alimentar.
Bruno Januário explica que muitas dessas laranjas podem estar a ser vendidas pouco tempo depois de tratamentos agrícolas. “Muitas dessas laranjas à venda ilegalmente têm menos de 24 horas de tratamento, o que pode prejudicar a saúde do consumidor final”, alertou.
Não é só a laranja
O problema não afeta apenas os citrinos. Pedro Cabrita, também produtor em Silves, diz que todos os anos enfrenta furtos nesta altura, mas não apenas de laranjas. “Além das laranjas roubam-me os frutos secos. É um prejuízo enorme, é difícil combater este problema”, contou, acrescentando que a vigilância permanente nem sempre é suficiente para travar os roubos.
Perante o aumento das queixas, a Federação Regional de Agricultura prepara uma reunião com forças de segurança e outras entidades para tentar encontrar respostas para o problema. O Correio da Manhã escreve que a GNR recebeu apenas duas queixas formais no último mês, uma delas em Algoz, que resultou na detenção de um suspeito. Ainda assim, produtores admitem que muitos casos acabam por não ser reportados.
Leia também: “Mykonos portuguesa”: espanhóis rendidos a vila piscatória algarvia com “ruas de postal e longe do turismo massivo”















