Pode estar a perder dinheiro no IRS sem se aperceber. A entrega da declaração em 2026, relativa aos rendimentos de 2025, exige mais do que clicar em “submeter”. Pequenos lapsos, dados por confirmar ou opções mal simuladas podem traduzir-se num reembolso mais baixo ou até num valor adicional a pagar ao Estado no IRS.
De acordo com a Executive Digest, site especializado em economia, que tem acompanhado as orientações da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), muitos contribuintes limitam-se a aceitar os dados pré-preenchidos sem uma verificação rigorosa. O processo é cada vez mais simples, mas continua a exigir atenção.
Começa antes de abril
A preparação não arranca no momento em que abre a declaração.
Em março, a AT disponibiliza os montantes das deduções à coleta apurados com base nas faturas validadas. Segundo a mesma publicação, é fundamental consultar essa informação no Portal das Finanças e confirmar se todas as despesas estão corretamente classificadas.
Despesas de saúde, educação, habitação ou lares podem ter impacto direto no imposto final. Caso detete erros, existe um prazo específico para reclamar. Ignorar esta etapa pode significar abdicar de deduções a que teria direito.
IRS automático não dispensa verificação
O IRS automático veio simplificar a vida a muitos contribuintes. A declaração surge preenchida e basta confirmar os dados. No entanto, essa facilidade pode criar uma falsa sensação de segurança.
Como explica a Executive Digest, é essencial rever cada campo, sobretudo quando há alterações na situação familiar, rendimentos adicionais ou mudanças no agregado.
Simular a tributação conjunta e separada, quando aplicável, pode revelar diferenças relevantes no resultado final. Há casos em que a escolha de uma modalidade aparentemente simples resulta num reembolso inferior.
Mais-valias e criptoativos exigem cuidado redobrado
As mais-valias provenientes da venda de ações, fundos ou outros valores mobiliários nem sempre são intuitivas.
Regra geral, estas operações são tributadas à taxa autónoma de 28 por cento. Contudo, pode existir obrigação de englobamento, o que altera a forma de tributação. Segundo a mesma fonte, a decisão entre englobar ou não pode influenciar significativamente o imposto a pagar.
O mesmo acontece com os criptoativos. A duração da detenção é determinante. Em certas situações, pode existir isenção; noutras, aplica-se tributação autónoma ou até enquadramento na categoria B, caso haja atividade económica associada.
Prazos que não podem falhar
A entrega da declaração decorre entre 1 de abril e 30 de junho de 2026. Depois, a AT emite a nota de liquidação, normalmente até final de julho.
Se houver imposto adicional a pagar, o prazo estende-se, em regra, até ao final de agosto. A entrega fora do prazo pode originar coimas previstas no Regime Geral das Infrações Tributárias.
Mas o maior risco nem sempre é a multa. É entregar uma declaração incompleta ou mal simulada e perder dinheiro sem dar conta.
O detalhe faz a diferença
O IRS não é apenas um procedimento administrativo anual. É o momento de acertar contas com o Estado.
Rever despesas, confirmar dados pessoais, analisar o enquadramento de rendimentos e simular diferentes cenários são passos que podem fazer diferença no resultado final.
Pode parecer um processo simples. E, em muitos casos, é. Mas é precisamente nos pequenos detalhes que se escondem as diferenças entre um reembolso maximizado e uma oportunidade perdida.
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