Circula há vários anos a ideia de que existe um botão de emergência nos caixas Multibanco capaz de travar fraudes bancárias em curso. A tecla em causa é a “Cancelar”, e embora desempenhe de facto um papel útil na segurança das transacções, não é um segredo, nem funciona como um mecanismo oculto de defesa.
Uma função banal que ganhou fama de escudo secreto
Segundo o Polígrafo, esta crença disseminou-se através de correntes e publicações nas redes sociais, muitas vezes em tom alarmista, atribuindo à tecla “Cancelar” capacidades que não tem. Apesar de poder interromper uma operação, não activa nenhum alarme, nem comunica com entidades externas.
A tecla “Cancelar” serve simplesmente para interromper a ação em curso num terminal Multibanco. Pode ser usada para anular um levantamento de dinheiro, uma transferência ou qualquer outro serviço antes da sua confirmação final. Em muitos casos, o terminal devolve automaticamente o cartão, impedindo que a operação prossiga.
É, por isso, uma função útil para o utilizador que detecta algo anómalo no processo ou que simplesmente se engana na operação. Contudo, não é um mecanismo de emergência nem possui funcionalidades de segurança avançadas, como muitas mensagens fazem crer.
Cuidados simples continuam a ser os mais eficazes
Os verdadeiros meios de prevenção continuam a ser os cuidados básicos antes e durante a utilização do terminal. Inspeccionar o multibanco antes de inserir o cartão, tapar o teclado ao introduzir o código, evitar locais isolados e verificar regularmente o saldo da conta são práticas que fazem diferença.
Com o avanço das técnicas de fraude, surgem dispositivos como skimmers e shimmers, que permitem clonar cartões e aceder a informações sensíveis. Também pequenas câmaras escondidas junto ao teclado são usadas para registar o código PIN. A Polícia Judiciária tem alertado para estes métodos cada vez mais sofisticados, que continuam a surgir apesar dos avanços na segurança dos terminais.
O botão não é inútil, mas também não é mágico
O Polígrafo refere que pressionar a tecla “Cancelar” no final de qualquer operação, mesmo que esta tenha sido concluída, é uma boa prática. Esta acção garante o encerramento da sessão no terminal, prevenindo que outra pessoa possa aceder a dados ainda activos.
A tecla pode, de facto, ser a última defesa em caso de dúvida, mas não substitui a vigilância. Não existe, afinal, um botão milagroso. Apenas ferramentas simples, que se tornam eficazes quando aliadas à atenção e ao bom senso de quem está diante do ecrã.
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