O Irão poderá avançar com a aplicação de uma tarifa aos navios que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, numa medida associada ao atual contexto de cessar-fogo. A proposta inclui pagamentos em criptomoedas e regras adicionais de controlo sobre as cargas transportadas.
De acordo com o jornal Financial Times, a iniciativa foi descrita por Hamid Hosseini, porta-voz do Sindicato dos Exportadores de Petróleo, Gás e Petroquímicos do Irão, que detalhou os contornos de um sistema de cobrança dirigido sobretudo a petroleiros em trânsito.
Pagamento em criptomoedas e novas regras
A proposta prevê que cada navio comunique previamente a sua carga antes de atravessar o estreito. Segundo a mesma fonte, os operadores deverão “enviar um e-mail com a informação da carga e aguardar a notificação da tarifa” antes de prosseguir viagem.
O valor estabelecido é de um dólar por barril de petróleo transportado. Acrescenta a publicação que os navios vazios ficam isentos desta cobrança, sendo os únicos a escapar à tarifa prevista.
Bitcoin como forma de pagamento
O método de pagamento também faz parte das exigências. Escreve o jornal que o valor deverá ser pago em bitcoin, pouco depois da avaliação, com o objetivo de evitar eventuais mecanismos de rastreamento ou sanções internacionais.
Segundo a mesma fonte, esta opção insere-se numa estratégia para contornar restrições financeiras e garantir a execução da medida durante o período de cessar-fogo.
Avisos e controlo do trânsito marítimo
Além da componente financeira, foram emitidos avisos relacionados com a circulação no estreito. Refere a mesma fonte que uma comunicação em inglês, transmitida via rádio, alertou que navios sem autorização poderão ser alvo de destruição.
O controlo do tráfego deverá ser reforçado. De salientar que o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão ficará responsável pelas decisões sobre as condições de passagem, incluindo a definição das rotas a seguir.
Rotas próximas da costa iraniana
As autoridades pretendem concentrar o tráfego junto ao território iraniano. Os navios deverão utilizar uma rota mais próxima da costa do país, permitindo maior supervisão sobre os movimentos e as cargas. Esta medida surge também associada à intenção de monitorizar de forma mais rigorosa os produtos transportados, com o objetivo de identificar eventuais transferências de armamento.
Apesar das intenções anunciadas, o trânsito marítimo no Estreito de Ormuz permanece limitado. De acordo com o Financial Times, dados do site MarineTraffic indicam que a circulação de petroleiros e cargueiros continua, em grande parte, parada. Segundo a mesma fonte, a situação mantém-se após o Irão ter recuado na abertura da via, acusando Israel de violar o cessar-fogo ao prosseguir ataques no Líbano.
Contexto de tensão regional
O anúncio destas medidas surge num período de elevada tensão geopolítica na região. Acrescenta a publicação que o cessar-fogo acordado tinha uma duração prevista de duas semanas, período durante o qual estas regras poderiam ser aplicadas.
A evolução da situação no terreno poderá determinar a implementação efetiva das tarifas e das restantes exigências, mantendo em aberto o funcionamento normal desta rota marítima estratégica.
















