Uma mulher reformada de 83 anos perdeu um prémio de 71,5 milhões de euros que tinha ganho na lotaria, depois de comprar o bilhete vencedor através de uma aplicação móvel. O caso, que está a gerar controvérsia, expôs falhas na regulação dos jogos de lotaria digitais e levantou dúvidas sobre a segurança das plataformas online.
De acordo com o HuffPost, site generalista americano, a mulher fez a aposta através da aplicação ‘Jackpocket Lottery’, que permite participar em sorteios oficiais sem sair de casa. O bilhete foi comprado no próprio dia do sorteio e confirmado como vencedor, mas uma semana depois tudo mudou: o regulador texano suspendeu o uso de aplicações de terceiros e bloqueou o pagamento do prémio.
Regras alteradas depois do sorteio
A Comissão de Lotaria do Texas alegou que a aplicação não cumpria as normas em vigor e que, por isso, o prémio não poderia ser entregue. A decisão foi tomada dias depois do sorteio, quando o bilhete já tinha sido validado. Segundo a publicação, o regulador considerou que a plataforma não estava devidamente certificada para operar em nome dos apostadores.
A mulher, que preferiu manter o anonimato, apresentou uma ação judicial em maio de 2025, defendendo que as autoridades “mudaram as regras após o sorteio”. Argumenta que, no momento da compra, a aplicação era legal e amplamente utilizada, pelo que o Estado não pode anular retroativamente o direito ao prémio.
Uma zona cinzenta nas lotarias digitais
O caso revelou uma falha na legislação dos jogos de azar nos Estados Unidos, que ainda não está adaptada ao crescimento das plataformas digitais. Segundo o HuffPost, a ausência de normas claras tem criado um vazio legal que prejudica tanto os jogadores como as empresas que operam de forma legítima.
Especialistas citados pelo mesmo meio alertam que esta indefinição compromete a confiança dos apostadores e põe em causa o equilíbrio entre inovação tecnológica e segurança jurídica. A disputa judicial poderá agora definir um precedente importante para o futuro das lotarias online.
E se fosse em Portugal?
Em Portugal, a legislação é mais clara e restritiva. Apenas entidades licenciadas pelo Estado, como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, podem vender bilhetes de lotaria ou gerir plataformas de jogo online.
De acordo com o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), a compra de bilhetes através de aplicações ou sites não autorizados é considerada ilegal e pode resultar na anulação do prémio e em coimas significativas.
Esta regra visa garantir transparência, segurança e proteção dos consumidores, evitando precisamente situações como a vivida pela apostadora norte-americana.
Entre a sorte e a lei
Enquanto o processo decorre nos tribunais do Texas, o caso da reformada tornou-se símbolo dos riscos associados ao jogo digital.
O que começou como um sonho de independência financeira transformou-se num exemplo de como a tecnologia pode, em segundos, alterar o destino de quem acredita na sorte.
Leia também: União Europeia ‘aperta’ e supermercados em Portugal vão sentir o impacto. Saiba como
















