Com o custo de vida a aumentar em toda a Europa, muitos reformados espanhóis afirmam que os sucessivos aumentos das pensões pouco se refletem no dia a dia. O que o Governo anuncia como uma melhoria é, para muitos, apenas um alívio temporário que não compensa a perda de poder de compra.
Em Espanha, a subida dos preços da alimentação, da energia e da habitação tem afetado especialmente quem vive de uma pensão fixa. Em entrevistas publicadas pelo jornal digital Noticias Trabajo, vários pensionistas confessam sentir que o dinheiro já não chega ao fim do mês.
Uma das entrevistadas resume o sentimento geral: “Com a pensão que recebia antes, de pouco mais de 500 euros, vivia quase melhor do que agora. Como tudo subiu, já não há dinheiro para tantas despesas.” Outros concordam, referindo que, apesar das atualizações anuais, a inflação continua a anular qualquer ganho real.
Um homem acrescenta: “Quanto mais me aumentam a pensão, menos ganho. Está mais do que claro.” Para muitos, o valor da reforma pode ter crescido no papel, mas a capacidade de compra encolheu de forma significativa nos últimos anos.
Inflação e o poder de compra perdido
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística de Espanha, o país registou nos últimos anos uma das taxas de inflação mais elevadas da última década. Os aumentos generalizados dos preços da eletricidade e dos bens essenciais fizeram com que as pensões, mesmo atualizadas, perdessem parte do seu valor real.
Entre os entrevistados, há quem recorde que, há poucos anos, o mesmo dinheiro permitia encher o frigorífico e pagar as contas básicas. Hoje, dizem, mal cobre as despesas de alimentação e de habitação. “A vida subiu mais do que as pensões”, lamenta uma mulher de 72 anos, citada pela mesma fonte.
Outros acrescentam que o custo das faturas e das compras mensais é o principal motivo de preocupação. “Antes comprava carne todas as semanas, agora só de vez em quando. É impossível manter o mesmo ritmo”, comenta outro reformado.
Opiniões políticas dividem os pensionistas
Entre as declarações recolhidas, há também quem refira o papel dos diferentes governos na evolução das pensões. Um dos entrevistados afirma: “Não sou político, mas se tiver de votar, voto no PSOE, que é quem aumenta as pensões.”
Recorda, com desagrado, os anos de congelamento dos valores: “O que foi vergonhoso é que, em doze anos de governo do PP, só nos aumentaram um euro ou um e trinta por mês. Com Sánchez, com tudo o que o criticam, ao menos tem-se preocupado com o pensionista.”
Este tipo de comentários reflete uma perceção comum entre parte dos reformados, que reconhecem as limitações dos aumentos, mas também valorizam o facto de estes se manterem acima da inflação nalguns períodos.
Importância de ter contribuído
Alguns entrevistados sublinham ainda que a situação financeira depende, em parte, das contribuições feitas ao longo da carreira profissional. “Se não pagas, não recebes, e depois queixam-se. Há que pagar, isso é claro”, afirma um homem.
Apesar das diferenças, há uma sensação partilhada por quase todos: o dinheiro das pensões já não chega para cobrir as despesas básicas. As faturas da luz, da água e do gás aumentam, e o preço dos produtos alimentares continua elevado, refere a mesma fonte.
Muitos defendem que é necessária uma revisão mais profunda das políticas de apoio aos idosos. “Há muita gente que precisa mesmo que as pensões subam. Assim viveríamos muito melhor”, conclui um dos reformados.
Contexto económico e social
De acordo com os analistas citados pelo Noticias Trabajo, o envelhecimento demográfico e a pressão sobre o sistema de segurança social espanhol representam desafios crescentes. O Governo espanhol tem tentado garantir que as reformas acompanhem a inflação, mas os efeitos são limitados perante um aumento generalizado do custo de vida.
Em Portugal, o cenário é semelhante. O aumento do custo de vida tem colocado pressão sobre milhares de reformados que dependem exclusivamente da pensão pública. Segundo dados da Segurança Social, mais de 2,1 milhões de portugueses recebem pensão de velhice, e cerca de metade vive com valores inferiores a 600 euros mensais.
O Governo português tem atualizado as pensões em função da inflação, mas várias associações alertam que os aumentos não acompanham o ritmo real dos preços. A Confederação Nacional de Reformados e Pensionistas tem reiterado que “as atualizações são insuficientes para garantir uma vida digna”, sobretudo nas grandes cidades, onde o custo da habitação e da alimentação é mais elevado.
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