A fatura média dos serviços de água e resíduos voltou a aumentar em Portugal e já ultrapassa os 34 euros para um consumo mensal de 10 metros cúbicos. Contudo, o valor pago pelas famílias varia muito consoante o concelho, podendo superar os 50 euros em alguns municípios e ficar abaixo dos 10 euros noutros.
Em 2026, o encargo tarifário médio de um agregado familiar situa-se nos 34,65 euros, segundo os dados disponibilizados pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR).
Este é o quinto aumento consecutivo da fatura média, numa tendência de subida que apenas foi interrompida por uma ligeira descida entre 2020 e 2021.
O que está incluído na fatura da água
Segundo a SIC Notícias, dos 34,65 euros pagos em média, 14,04 euros correspondem ao serviço de abastecimento de água, representando cerca de 41% do valor total.
O saneamento de águas residuais pesa 11,26 euros, ou 32%, enquanto a gestão dos resíduos urbanos representa 9,35 euros, o equivalente a 27% da fatura.
Os valores têm como referência um consumo doméstico mensal de 10 metros cúbicos e incluem os diferentes serviços cobrados habitualmente pelos municípios.
Valores ainda podem mudar até ao final do ano
A ERSAR explica que os dados apresentados foram recolhidos até 30 de junho, pelo que os montantes finais ainda poderão sofrer alterações até ao encerramento de 2026.
Apesar disso, os números já permitem identificar diferenças muito significativas entre os vários concelhos de Portugal continental.
Em 2017, a fatura média rondava os 24 euros. Já em 2021, ano em que os valores passaram a incluir IVA e taxas ambientais, o encargo situava-se nos 25,43 euros.
Este é o concelho onde a água fica mais cara
Grândola surge no topo da tabela dos municípios com a fatura mais elevada, com um encargo mensal que pode atingir os 51,39 euros.
Segue-se Amarante, onde uma família com o consumo considerado paga 48,08 euros por mês, e Vila Real de Santo António, com uma fatura de 47,39 euros.
Loulé também aparece entre os concelhos mais caros, com um valor que pode chegar aos 47,18 euros, ficando muito próximo de Albergaria-a-Velha, onde o encargo é de 47,03 euros.
Dois concelhos do Algarve entre os mais caros
Ovar apresenta uma fatura de 47,01 euros, enquanto no Barreiro o valor chega aos 46,15 euros.
Valongo, São João da Madeira, Baião, Alenquer e Trofa completam o grupo dos concelhos onde o custo mensal é mais elevado.
No Algarve, Vila Real de Santo António e Loulé encontram-se, assim, entre os municípios com os maiores encargos para os consumidores.
Há concelhos onde a fatura não chega aos 10 euros
No extremo oposto encontra-se Castro Daire, considerado o concelho onde se paga menos pelos serviços de água, saneamento e resíduos.
Neste município, a fatura mensal para um consumo de 10 metros cúbicos fica pelos 9,62 euros, quase cinco vezes menos do que o valor cobrado em Grândola.
Vila Flor também apresenta um encargo inferior a 10 euros, com uma fatura de 9,90 euros.
Estes municípios têm os valores mais baixos
Oliveira de Frades surge logo depois, com um custo mensal de 10,12 euros, seguindo-se Terras de Bouro, com 10,56 euros, e Vila Nova de Paiva, com 10,62 euros.
Tabuaço apresenta uma fatura de 11,21 euros, enquanto em Resende o valor chega aos 11,95 euros.
Entre os municípios com os preços mais baixos encontram-se ainda Mourão, com 14,01 euros, Vila Nova de Foz Côa, com 15,01 euros, e Aljezur, no Algarve, com 15,10 euros.
Diferença ultrapassa os 40 euros por mês
A comparação entre Grândola e Castro Daire revela uma diferença mensal de 41,77 euros para exatamente o mesmo nível de consumo.
Ao fim de um ano, esta disparidade representa mais de 500 euros entre o concelho mais caro e o município com o valor mais baixo.
As diferenças resultam dos tarifários definidos localmente, dos custos de exploração dos sistemas e do modelo de gestão adotado em cada município.
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