O turismo em Portugal fecha 2025 com perspetivas muito positivas para o Natal e a passagem de ano, mas as maiores cadeias hoteleiras já antecipam um possível abrandamento em 2026, em particular no Algarve, se se confirmar uma quebra do mercado britânico, segundo dados avançados à Lusa.
Para este fim de ano, o Algarve volta a afirmar-se como um dos destinos mais procurados no turismo nacional. O Pestana Hotel Group estima, na região e na Madeira, taxas de ocupação entre 65% e 80% no Natal e entre 90% e 95% no réveillon, com estadias médias mais longas do que no resto do país – cerca de quatro noites no Natal e cinco no fim de ano. O grupo sublinha que, no caso algarvio, a época natalícia deverá registar um crescimento de 5% a 7,5% face a 2024, enquanto a passagem de ano deverá manter-se em linha com o ano anterior.
Já nos hotéis de Lisboa, Porto e Pousadas de Portugal, o Pestana aponta para taxas de ocupação entre 65% e 85% no Natal e entre 85% e 95% no réveillon, com estadias médias de duas noites. O turismo no grupo antecipa “uma ‘performance’ superior à do ano anterior” no Porto e níveis semelhantes em Lisboa. Nas Pousadas, o crescimento esperado varia entre 4% e 17%, consoante a região, com o preço médio por quarto e a receita a aumentarem entre 5% e 8%, reflexo da procura por experiências diferenciadas.
Também o grupo Vila Galé descreve um dezembro “positivo” em comparação com 2024, com uma procura “interessante e superior” em várias regiões. De acordo com o diretor de marketing e vendas, Pedro Ribeiro, o mercado português mantém-se como principal origem de hóspedes na maioria das unidades, seguido pelo mercado inglês no Algarve, onde a presença britânica continua a ser determinante para o desempenho hoteleiro.
No Grupo Hoti Hotéis, o presidente executivo, Miguel Proença, indica previsões globais de 70% de ocupação no Natal e 90% na passagem de ano. A procura evolui “em linha com o ano passado, numa perspetiva de estabilização”, embora existam realidades distintas nas 20 unidades que o grupo detém em Portugal. A Madeira surge como a zona com maior procura em toda a quadra festiva, enquanto nas restantes regiões – onde se inclui o Algarve – a pressão concentra-se sobretudo na noite de fim de ano, refletindo o impacto do turismo.
Apesar deste contexto favorável, o Pestana Hotel Group antecipa um 2026 mais desafiante. O grupo admite que “as expectativas apontam para um cenário de abrandamento do mercado, com alguma pressão sobre preços em várias capitais europeias, resultante do aumento da oferta e da estabilização da procura”. No caso específico do Algarve, são esperados desafios associados à eventual quebra do mercado britânico, particularmente sensível numa região onde o turismo do Reino Unido é tradicionalmente um dos principais emissores de turistas. Para a Madeira, o grupo prevê ainda um ano positivo, embora com um ritmo de crescimento mais moderado.
Outro fator de risco identificado passa pelas infraestruturas aeroportuárias, com o Pestana a alertar para o efeito que a experiência nos aeroportos poderá ter na atratividade do destino Portugal. “O grande problema poderá surgir das infraestruturas aeroportuárias. A experiência dos utentes dos aeroportos em Portugal, em Lisboa durante todo o ano e nas épocas altas no Algarve, é muitíssimo má e isso, obviamente, terá impactos no futuro da procura”, refere o grupo.
Depois de um 2025 que as cadeias classificam como “positivo” para o turismo, o setor entra na quadra de Natal e passagem de ano com taxas de ocupação elevadas e boas perspetivas de receita, mas com o olhar já colocado em 2026. No Algarve, onde o turismo é um dos pilares da economia regional, a evolução do mercado britânico e a resposta às limitações aeroportuárias surgem como variáveis decisivas para evitar que o próximo ano traga um travão ao crescimento que a região tem vindo a registar.
















