As próximas partidas do Mundial de 2026, que se disputará entre México, Canadá e Estados Unidos, vão apresentar árbitros com novos instrumentos para acelerar o jogo e reduzir as interrupções. De acordo com o antigo árbitro internacional português Pedro Henriques, as alterações aprovadas pelo International Board (IFAB) vão permitir partidas mais claras, fluidas e com menos ruído.
Segundo a Lusa, Pedro Henriques considerou estas medidas “equilibradas e inteligentes”, destacando o alargamento do raio de ação do VAR e a limitação das perdas de tempo como os pontos mais significativos. “O objetivo não é penalizar, mas acelerar o jogo.
Recuperar minutos de tempo útil, com medidas dissuasoras para as perdas de tempo, e reposições de bola mais rápidas, controladas com a contagem visível dos segundos”, explicou.
Reposições mais rápidas e disciplina reforçada
As alterações entram em diversas situações de jogo. Futebolistas que se atrasem em lançamentos de linha lateral, pontapés de baliza ou simulações de lesão passam a ser punidos com medidas concretas.
Entre as opções previstas estão a atribuição do pontapé de canto ao adversário ou a obrigação de um jogador esperar um minuto para substituir um colega que não abandone rapidamente o campo. Segundo Pedro Henriques, estas medidas podem traduzir-se num ganho potencial de cinco a sete minutos por partida, aumentando a intensidade e fluidez do jogo.
O antigo árbitro sublinhou que num desafio típico há cerca de 40 a 50 reposições de bola entre lançamentos de linha lateral e pontapés de baliza. “Estas medidas vão ter um impacto direto na dinâmica do jogo”, acrescentou, segundo a Lusa.
VAR mais interventivo, mas cirúrgico
O IFAB decidiu também alargar as competências do VAR, mas mantendo uma intervenção seletiva. “A filosofia é corrigir erros claros, sem substituir o árbitro. O VAR não intervém em todas as faltas de um jogador já amarelado, apenas quando o árbitro erra ao expulsar ou na identificação do atleta”, esclareceu Pedro Henriques. A tecnologia permitirá, por exemplo, corrigir erros em cantos mal assinalados, na exibição do segundo cartão amarelo ou na troca de identidade dos jogadores.
Apesar das melhorias, Pedro Henriques lamentou que a lei do fora de jogo não tenha sido revista de imediato. A chamada Lei de Wenger, que estabelece que um jogador só estará em fora de jogo se o corpo estiver totalmente à frente do último defesa, será testada no campeonato do Canadá e, se aprovada, entrará em vigor na época 2027/28.
Segundo a Lusa, a hesitação em avançar para esta alteração demonstra uma “falta de coragem” das autoridades.
O antigo árbitro apelou ainda a que Portugal invista urgentemente em tecnologia semiautomática para eliminar linhas manuais, frequentemente criticadas por divergências de centímetros. “O computador vai determinar o momento exato do passe, reduzindo drasticamente o erro humano, a polémica e a desconfiança pública”, afirmou à Lusa.
Esta tecnologia, já aplicada na Liga dos Campeões, é vista como essencial para acompanhar as mudanças que serão testadas no Mundial deste ano.
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