Num momento em que a ciência procura compreender se existem condições para a vida fora da Terra, uma estrutura estranha observada numa lua de Júpiter voltou a despertar a atenção dos investigadores. Uma formação com aspeto de “aranha gigante”, detetada há cerca de 20 anos na superfície gelada de Europa (uma das luas de Júpiter), pode ajudar a explicar a presença de água líquida sob o gelo e reforçar a hipótese de vida neste corpo celeste, segundo o portal ZAP.
A estrutura foi registada pela sonda Galileo, da NASA, no final da década de 1990, mas só recentemente foi analisada em detalhe. Localiza-se no interior da cratera Manannan, em Europa, e é conhecida como Damhán Alla, termo irlandês que significa “aranha”.
Uma explicação encontrada na Terra
Segundo um estudo publicado este mês na Planetary Science Journal, a formação apresenta fortes semelhanças com um fenómeno terrestre conhecido como “estrelas de lago”, padrões que surgem quando água de degelo se espalha sob o gelo e congela rapidamente.
A investigação, liderada por Lauren McKeown, da University of Central Florida e do Jet Propulsion Laboratory da NASA, conclui que estas estruturas podem resultar da ascensão de água salgada proveniente do oceano subterrâneo de Europa.
Água líquida sob o gelo
De acordo com os cientistas, um impacto de meteorito poderá ter fraturado a crosta gelada da lua, permitindo que a salmoura, sob elevada pressão, atingisse a superfície. O líquido teria depois congelado, deixando marcas duradouras, refere a mesma fonte.
Este processo sugere a existência de reservatórios locais de água líquida relativamente próximos da superfície, um fator considerado essencial na procura de vida fora da Terra.
Europa no centro da investigação científica
O oceano subterrâneo de Europa é apontado como um dos locais mais promissores do Sistema Solar para a existência de vida, devido à presença de água líquida, sais e possíveis compostos orgânicos. “Estas estruturas podem dizer-nos muito sobre o que se passa por baixo do gelo”, afirmou Lauren McKeown, citada pela Universe Magazine.
E a seguir?
A análise baseia-se em dados da sonda Galileo, que terminou a missão em 2003. Esperam-se novos avanços com a missão Europa Clipper, da NASA, prevista para chegar a Europa em 2030, com imagens de maior resolução e novos instrumentos científicos, segundo a ZAP.
Estas observações poderão ajudar a identificar outras formações semelhantes e a mapear as zonas mais promissoras para futuras missões dedicadas à procura de sinais de vida em Júpiter.
















