Milhares de portugueses atravessam todos os anos a fronteira para viajar de carro em Espanha, mas é importante estarem atentos: os radares continuam a ser responsáveis por dois terços das multas aplicadas no país vizinho, e há agora uma nova sinalização que alerta os condutores para fiscalizações feitas do ar com drones e helicópteros.
Sinalização específica para controlo aéreo
Segundo dados oficiais da Direção-Geral de Trânsito espanhola (DGT), e de acordo com o portal espanhol El Motor, em 2023 foram processadas mais de 3,3 milhões de contraordenações através destes dispositivos. Estima-se que os radares representem uma fatia significativa dos cerca de 500 milhões de euros arrecadados anualmente em coimas.
A nova sinalização rodoviária, identificada como S-991g, surge para reforçar a transparência. O sinal informa que um determinado troço pode estar sujeito a vigilância aérea, seja por helicópteros ou por drones, ferramentas cada vez mais utilizadas na fiscalização da velocidade.
Transparência e prevenção
As autoridades espanholas sublinham que a localização dos radares já pode ser consultada no portal oficial da DGT, além de estar previamente indicada na estrada através de placas. Com o novo sinal, pretende-se aumentar a clareza para os condutores e reforçar o efeito dissuasor.
Em paralelo, a DGT justifica a aposta nos controlos aéreos com a necessidade de reduzir acidentes graves provocados pelo excesso de velocidade, que continua a ser uma das principais causas de sinistralidade rodoviária.

Tecnologia de apoio às fiscalizações
Os drones e helicópteros são usados em pontos estratégicos, sobretudo em zonas onde a instalação de radares fixos é menos prática. A partir do ar, é possível identificar em tempo real os veículos que circulam acima do limite legal e transmitir a informação para as patrulhas no terreno.
Com esta tecnologia, aumenta-se a capacidade de fiscalização sem necessidade de colocar dispositivos visíveis na estrada, o que, segundo a DGT, contribui para maior eficácia na prevenção de infrações.
Debate sobre eficácia e receita
Apesar da intenção de reforçar a segurança rodoviária, não faltam críticas de associações de condutores, que consideram estas medidas excessivas e com um forte peso arrecadatório. Em resposta, a DGT sublinha que o objetivo não é gerar receita, mas sim reduzir o número de acidentes.
Ainda assim, os números falam por si: de acordo com o El Motor, dois em cada três autos levantados pela autoridade espanhola têm origem em radares, sejam fixos, móveis ou agora também aéreos.
Possível adaptação em Portugal
Em Portugal, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) já utiliza radares fixos e móveis e tem vindo a reforçar a fiscalização com novos dispositivos. Embora ainda não exista sinalização específica para controlo aéreo, o recurso a drones não está completamente afastado e poderá vir a ser integrado em futuras campanhas de segurança rodoviária.
Caso este cenário acontecesse, seria necessário adaptar o Código da Estrada e criar placas semelhantes às de Espanha, para garantir que os condutores são devidamente informados sobre este tipo de fiscalização.
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