Com o aumento das vendas de carros elétricos em Portugal, cresce também a preocupação com a manutenção das suas componentes mais críticas. A bateria, sendo o coração do carro elétrico, representa um dos elementos mais caros e sensíveis. Prolongar a sua vida útil depende, em grande parte, de decisões simples no dia-a-dia.
De acordo com a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), há práticas que ajudam a preservar a bateria do carro elétrico a longo prazo e evitam perdas de desempenho prematuras.
Entre os cuidados recomendados está o nível de carga com que o automóvel permanece parado por longos períodos.
Evitar estacionar com a bateria a 100%
Segundo a mesma fonte, deixar o veículo estacionado durante vários dias com a bateria totalmente carregada pode acelerar o desgaste da célula, sobretudo em ambientes de temperaturas elevadas.
Esta prática é desaconselhada por diversos fabricantes, mesmo que carregar até 100% não represente risco imediato.
Escreve a UVE que carregar acima dos 80% não é prejudicial por si só, desde que o veículo seja usado de imediato. A recomendação prende-se com a ineficiência de manter uma carga completa sem utilização e com a impossibilidade de recorrer ao sistema de regeneração durante a condução, que fica inativo com a bateria cheia.
Evitar chegar perto dos 0% também é importante
Por outro lado, permitir que a carga desça até níveis muito baixos também não é recomendado. A UVE sugere manter um mínimo de 20% de capacidade antes de iniciar um novo carregamento, evitando assim esforços excessivos na recuperação da bateria e uma maior exposição ao desgaste térmico.
Estas orientações contribuem para manter a bateria dentro de uma faixa de operação considerada mais estável, reduzindo os ciclos extremos de carga e descarga que diminuem a longevidade da componente.
A escolha do posto de carregamento deve ser ponderada
Além do estado da carga, também a escolha do posto de carregamento influencia a durabilidade da bateria. Se estiver disponível um posto de corrente contínua de 50 kW e outro de 350 kW, deve optar pelo de menor potência caso o seu veículo não beneficie diretamente da maior capacidade.
Refere a mesma fonte que utilizar um posto de 350 kW num carro que só suporta até 50 kW pode não trazer qualquer vantagem e, em alguns casos, aumentar a temperatura da bateria de forma desnecessária.
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Atenção ao tempo que mantém o carro a carregar
Postos rápidos, super-rápidos ou ultrarrápidos não danificam a bateria por si mesmos, mas a UVE sublinha que o tempo de utilização deve ser moderado.
O ideal é não ultrapassar os 30 a 40 minutos de carga, especialmente se a bateria já estiver perto dos 80% da sua capacidade.
Evitar sessões prolongadas de carregamento rápido reduz o stress térmico e elétrico sobre os componentes internos da bateria, contribuindo para uma operação mais estável ao longo do tempo.
Cautelas adicionais na carga em casa
Carregar o carro em casa é uma prática comum, mas exige cuidados específicos. A UVE recomenda evitar o uso de extensões ou tomadas domésticas de instalação duvidosa, uma vez que o carregamento contínuo pode aquecer as ligações e provocar danos invisíveis.
O ideal é utilizar uma wallbox dedicada, instalada por técnicos certificados, garantindo a segurança da instalação e o desempenho correto do processo de carregamento.
Preservar agora, poupar depois
A manutenção da saúde da bateria é uma combinação entre tecnologia e boas práticas. A forma como o condutor gere a carga, a escolha do tipo de posto e o tempo de carregamento têm impacto direto na longevidade do sistema.
Conforme explica a UVE, seguir estas orientações permite não só poupar na substituição de componentes, mas também manter a autonomia do carro mais próxima dos valores de origem durante mais anos de utilização.
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