A escalada das tensões no Médio Oriente está a pressionar os preços do petróleo e reacende a questão: até onde pode subir o barril e quando chegará o impacto às bombas de combustível? Analistas admitem que, num cenário de agravamento do conflito e bloqueio prolongado do estreito de Ormuz, o crude poderá aproximar-se dos 100 dólares por barril, com reflexos nos preços finais dentro de uma a três semanas.
De acordo com o Notícias ao Minuto, a eventual suspensão do trânsito no estreito de Ormuz terá um impacto direto na oferta global de petróleo. O efeito concreto dependerá, contudo, da duração do encerramento e da evolução do conflito na região.
Paolo Zanghieri, economista sénior da Generali AM, considerou numa nota de análise que os ataques coordenados de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão visam uma mudança de regime e poderão prolongar-se. Segundo o analista, numa fase anterior de tensão, em 2025, o Brent ultrapassou temporariamente os 80 dólares por barril.
O economista sublinhou que o fecho do estreito de Ormuz poderia reduzir a produção global de petróleo entre 15% e 20%. Ao mesmo tempo, recordou que a OPEP+ decidiu aumentar a oferta em 206 mil barris por dia, o que poderá compensar parcialmente a perda das exportações iranianas.
Pode o barril atingir os 100 dólares?
Segundo Zanghieri, impedir que o crude ultrapasse os 100 dólares por barril depende da reabertura do estreito de Ormuz. Uma interrupção parcial, com ataques esporádicos a navios ou minagem da via marítima, poderia empurrar os preços para 90 dólares ou mais.
Ataques diretos a instalações petrolíferas no Golfo teriam um impacto ainda mais significativo, mas implicariam também custos geopolíticos elevados para o Irão, incluindo o desgaste das relações regionais e tensões com a China.
Christian Schulz, economista-chefe da AllianzGI, afirmou que os mercados enfrentam um choque relevante, embora ainda não desestabilizador. Segundo explicou, o aumento dos preços do petróleo, a descida dos ativos de risco e a valorização de ativos considerados refúgio são reações expectáveis, mas tudo dependerá da dimensão do conflito.
O impacto imediato nos mercados
Ricardo Evangelista, presidente executivo da ActivTrades Europe, destacou que os preços do petróleo WTI iniciaram a semana quase 10% acima do fecho anterior, refletindo o nervosismo dos investidores. Apesar de alguma correção posterior, os valores mantêm-se acima dos 72 dólares por barril, nível que não era observado desde junho.
Henrique Valente, também da ActivTrades Europe, apontou que as empresas de aviação na Europa foram das mais penalizadas, devido ao receio de menor atividade no Médio Oriente, enquanto as empresas de defesa e energia registaram ganhos.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima e por uma parte relevante do gás natural liquefeito, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
Após os avisos do Irão de que a navegação na zona já não seria segura, algumas grandes companhias marítimas, como a Maersk e a Mediterranean Shipping Company, suspenderam ou desviaram rotas, acrescenta o Notícias ao Minuto.
Quando se sente o efeito nos combustíveis?
Em Portugal, o impacto da subida do crude tende a refletir-se nos preços dos combustíveis com um desfasamento de uma a três semanas, dependendo da evolução das cotações internacionais e da taxa de câmbio.
Se os preços se mantiverem elevados ou continuarem a subir, os consumidores poderão começar a sentir aumentos progressivos nas bombas. Caso o conflito se atenue e o estreito de Ormuz reabra rapidamente, o efeito poderá ser limitado.
Para já, os mercados acompanham cada novo desenvolvimento na região. O rumo do petróleo dependerá menos de projeções económicas e mais da evolução política e militar no Médio Oriente nas próximas semanas.
Leia também: “Ouro negro” sobe a pique: preço do petróleo aumenta ‘de repente’ e Portugal pode ser afetado desta forma
















