A Direção-Geral de Trânsito de Espanha (DGT) está a alargar o controlo nas estradas com novos equipamentos capazes de detetar infrações que vão muito além do excesso de velocidade. De acordo com a revista automóvel espanhola Autopista, a DGT já tem sistemas em funcionamento para vigiar manobras sobre linhas contínuas e o incumprimento do sinal Stop, ao mesmo tempo que prepara a chegada de tecnologia capaz de medir as emissões reais dos veículos em circulação.
Os dados mais recentes citados pela publicação, com base no Observatório de Radares em Espanha da Coyote, indicam que existem atualmente 3.395 radares ativos no país. A maioria continua destinada ao controlo da velocidade, mas o universo destes dispositivos está a tornar-se mais variado. Desse total, 2.341 são cinemómetros fixos ou móveis e 232 correspondem a radares de troço. A própria DGT confirmou ainda a instalação de mais 33 radares ao longo deste ano.
Este reforço surge numa altura em que a sinistralidade continua a preocupar as autoridades. Segundo os números citados pela Autopista, o ano de 2025 terminou com 1.119 mortos em acidentes de viação em estradas interurbanas de Espanha.
Mais controlo nas estradas espanholas
Além dos radares tradicionais, o relatório referido pela publicação espanhola aponta para a existência de 566 dispositivos instalados em semáforos, usados para sancionar condutores que passem com o sinal vermelho ou amarelo. A estes somam-se ainda 256 câmaras destinadas a detetar o uso do telemóvel ao volante, bem como a falta de cinto de segurança ou dos sistemas de retenção infantil.
Nos últimos meses, a DGT tem também apostado em radares de reboque colocados em zonas de obras, com o objetivo de vigiar a velocidade em troços considerados mais sensíveis devido à presença de trabalhadores. Ao mesmo tempo, começaram a surgir sistemas pensados para apanhar outro tipo de infrações, como o desrespeito por linhas contínuas e sinais Stop.
Linhas contínuas já estão a ser vigiadas
Entre as novidades já em funcionamento estão os radares de linha contínua. Segundo a DGT, estes sistemas automáticos são compostos por duas câmaras que fotografam os veículos em zonas de incorporação e na faixa da direita da via principal, para confirmar se entram antes do permitido ou se invadem faixas atravessando linhas contínuas.
As imagens recolhidas seguem depois para o Centro de Tratamento de Denúncias Automáticas, onde a situação é analisada antes de ser aplicada qualquer sanção. Nestes casos, a multa prevista é de 200 euros e não há perda de pontos.
As localizações já confirmadas pela DGT para este tipo de controlo situam-se todas na região de Madrid: A 1 ao quilómetro 15,95, A 2 ao quilómetro 11,8, A 42 ao quilómetro 16,9 e A 6 ao quilómetro 20,2, sempre no sentido decrescente.
O sinal Stop também entra na mira
Outra frente de fiscalização aberta pela DGT diz respeito aos chamados radares de Stop. Neste caso, o sistema funciona com uma câmara que grava permanentemente os veículos que se aproximam de um cruzamento regulado por esse sinal.
Quando o condutor não respeita a obrigação de paragem, as imagens são enviadas para o mesmo centro de tratamento.
Se a infração for confirmada após análise, a penalização pode chegar aos 200 euros e implicar ainda a retirada de até quatro pontos na carta de condução. Para já, a DGT confirma dois locais com estes dispositivos já instalados e a sancionar: a estrada CM 220, ao quilómetro 68,68, em Cuenca, e a M 222, ao quilómetro 13,95, na região de Madrid, ambas no sentido crescente.
A Autopista refere também que alguns municípios espanhóis já utilizam soluções semelhantes, como acontece em Burjassot, em Valência, e em Torrejón del Rey, em Guadalajara.
E os condutores portugueses? Também podem ser apanhados
Para os portugueses que conduzem em Espanha, a matrícula nacional não funciona como escudo. A DGT tem, aliás, informação própria para condutores que vivem fora do país e recebam uma multa, prevendo pagamento, contestação ou identificação do condutor. Ao mesmo tempo, o quadro europeu de troca de informação entre Estados-membros existe para ajudar a identificar veículos registados noutro país e dar seguimento às sanções. A revisão aprovada no final de 2024 alargou ainda as infrações abrangidas, incluindo a travessia de linhas contínuas, com transposição nacional prevista até 20 de julho de 2027. Ou seja, quem passar a fronteira de carro não deve assumir que uma infração registada em Espanha fica sem efeitos por ter matrícula portuguesa.
Emissões dos carros poderão ser o próximo alvo
A próxima etapa poderá passar pelo controlo remoto das emissões reais dos veículos em circulação. Embora estes equipamentos ainda não estejam instalados nem a multar, o Governo espanhol já publicou uma nova norma UNE para enquadrar este tipo de medição, abrindo caminho à sua futura utilização.
A tecnologia permitirá detetar, em tempo real, os gases emitidos pelos veículos através de sensores colocados nas laterais das estradas. Segundo a informação citada, os aparelhos conseguem medir poluentes como óxidos de azoto, monóxido de carbono, hidrocarbonetos, amoníaco e partículas. Além disso, também poderão identificar a matrícula, a velocidade e a aceleração do veículo.
A empresa espanhola OPUS RSE garante já dispor dos primeiros equipamentos homologados. A expectativa é que este tipo de controlo ganhe peso nos próximos meses, à medida que a União Europeia avança com a intenção de promover uma instalação mais alargada destes sistemas.
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