Com a chegada da chuva, o asfalto torna-se mais escorregadio e a condução exige maior atenção. Muitos condutores ajustam a velocidade, mas cometem um erro recorrente que pode sair caro: a utilização incorreta das luzes do automóvel. Segundo o Automóvel Club de Portugal (ACP), descuidos neste ponto podem gerar multas de até 600 euros.
Luzes de cruzamento obrigatórias
É frequente ver veículos a circular apenas com as luzes de presença ou diurnas durante a chuva. O Código da Estrada, no entanto, é claro: em situações de visibilidade reduzida, como chuva intensa, nevoeiro ou neve, é obrigatório ligar os médios, nos termos do artigo 61.º do Código da Estrada, em articulação com a definição de visibilidade reduzida constante do artigo 19.º.
Circular apenas com os mínimos é uma infração passível de coima, enquadrada no regime sancionatório do Código da Estrada, podendo variar entre 60 e 300 euros, dependendo da gravidade da situação.
Faróis de nevoeiro: uso correto
Os faróis de nevoeiro traseiros só devem ser usados quando a visibilidade é muito baixa, conforme estabelecido no artigo 61.º do Código da Estrada. A sua utilização indevida encandeia outros condutores e é considerada contraordenação muito grave, nos termos dos artigos 145.º e 146.º, com coimas que podem chegar aos 600 euros.
A regra prática é simples: sempre que os limpa-para-brisas estão ligados, os médios também devem estar acesos. Isto melhora a visibilidade e torna o veículo mais fácil de detetar, reduzindo o risco de acidentes
Risco de aquaplanagem
A chuva aumenta o risco de aquaplanagem, quando os pneus perdem contacto com o asfalto e o carro desliza sobre a água. Nestes momentos, o controlo do veículo é temporariamente perdido.
A manutenção dos pneus é essencial. A lei portuguesa estabelece requisitos mínimos para o estado dos pneus ao abrigo do artigo 114.º do Código da Estrada e respetiva regulamentação, exigindo uma profundidade mínima de 1,6 mm. Ainda assim, especialistas recomendam trocar os pneus quando os sulcos atingem 3 mm, sobretudo em condução frequente em piso molhado.
Se a aquaplanagem ocorrer, o condutor deve manter a calma: aliviar o acelerador, segurar firme o volante e deixar o carro recuperar aderência. Travagens bruscas ou movimentos repentinos aumentam o perigo.
Velocidade e distância de segurança
A chuva prolonga a distância de travagem, tornando necessário reduzir a velocidade e aumentar o espaço para o veículo da frente. A recomendação é diminuir cerca de 20% do limite permitido e duplicar a distância de segurança. Por exemplo, se em piso seco dois segundos bastam, em piso molhado devem ser quatro.
Evitar ultrapassagens arriscadas, curvas rápidas e travagens súbitas são medidas essenciais. Conduzir à chuva exige atenção, prudência, manutenção correta e cumprimento das regras de segurança.
Segundo o ACP, garantir uma boa visibilidade e circular sempre com os médios ligados é o primeiro passo para evitar acidentes e multas. Um gesto simples pode fazer toda a diferença entre uma viagem tranquila e uma fatura elevada.
- Notícia atualizada às 16:43 de 3 de janeiro
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