O Porto d’Abrigo do Zoomarine devolveu ao mar, esta quarta-feira, mais um exemplar da espécie Caretta caretta (tartaruga-comum), após vários meses de reabilitação clínica e acompanhamento veterinário. A libertação da tartaruga, batizada de Vénus, foi realizada a 12 milhas náuticas da costa, em alto mar, com o apoio logístico da Marinha Portuguesa, através do NRP Cassiopeia, sob o comando do 1.º Tenente Gonçalves Dias.
A operação contou com a colaboração do Comando da Zona Marítima do Sul, que assegurou o transporte da tartaruga a partir do Ponto de Apoio Naval de Portimão até à zona de devolução. “A Marinha Portuguesa, através do Comando da Zona Marítima do Sul, prestou apoio ao Zoomarine na libertação de uma tartaruga marinha que se encontrava em recuperação no centro de reabilitação da instituição. Esta colaboração contou com o envolvimento direto de um navio da Marinha, que permitiu o transporte seguro do animal até ao seu habitat natural, garantindo as condições ideais para a sua reintrodução no meio marinho”, explicou o CZMS CMG Conceição Dias.

Vénus foi encontrada a flutuar, debilitada, ao largo do Cabo de Sines, a 27 de dezembro de 2023, por um pescador, que rapidamente alertou a equipa do ARROJAL (Rede de Arrojamentos do Alentejo). O animal foi então transportado para o Porto d’Abrigo do Zoomarine, o primeiro centro em Portugal dedicado à recuperação de espécies marinhas, criado em 2002, em parceria com o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas).
À chegada, a tartaruga apresentava alterações a nível sanguíneo e pulmonar, tendo sido alvo de um plano de tratamento individualizado. “A Vénus chegou ao Porto d’Abrigo debilitada. Foi submetida a exames clínicos detalhados, e definido um plano de tratamento. A resposta foi positiva e gradual, o que nos permitiu prepará-la com segurança para este regresso ao mar. Cada devolução é um momento de grande significado para toda a equipa — é o culminar de um trabalho exigente e o reforço do nosso compromisso com a proteção da vida marinha”, sublinhou Antonieta Nunes, enfermeira veterinária responsável pelo processo.

A tartaruga foi devolvida ao mar no passado dia 14 de maio, equipada com microchip e anilhas nas barbatanas anteriores, permitindo a sua identificação futura caso venha a ser avistada novamente.
A ação é mais uma expressão do esforço conjunto entre instituições civis e militares na preservação da biodiversidade marinha. “A ação reforça a parceria contínua entre a Marinha Portuguesa e o Zoomarine, unidas pelo objetivo comum de proteger a biodiversidade. Esta cooperação demonstra o compromisso de ambas as entidades na conservação das espécies marinhas e na promoção de um oceano mais saudável, através de ações concretas e coordenadas”, destacou ainda o CZMS CMG Conceição Dias.

Para além do impacto ambiental, esta iniciativa tem também um papel relevante na sensibilização pública. “O envolvimento da Marinha evidencia o seu papel ativo na defesa do património natural, ao lado de parceiros civis dedicados à investigação e proteção da natureza”, acrescentou o responsável da Marinha.
O Porto d’Abrigo do Zoomarine já reabilitou centenas de espécies marinhas, apoiado por equipas clínicas especializadas e infraestruturas avançadas, reafirmando-se como um pilar essencial na conservação marinha em Portugal.
Leia também: Nem na mão, nem no porão: União Europeia proíbe este objeto usado por ‘todos’ de viajar nesta bagagem do avião

















