Uma turista irlandesa de 18 anos, ferida no atropelamento que atingiu várias pessoas cerca das 03:00 de 25 de agosto, na avenida Francisco Sá Carneiro, em Albufeira, afirmou que deixará Portugal com uma “má memória”, embora aliviada por ter sofrido apenas escoriações.
Maja Lewecka contou aos jornalistas que não se apercebeu da aproximação da viatura, tendo sido colhida e arrastada durante vários metros sobre o capô do automóvel, que abalroou várias pessoas.
“Nem me apercebi que o carro se aproximava, quando o vi já estava em cima de nós. Foi tudo muito rápido”, relatou a jovem, classificando o incidente como “assustador”.
A turista apresentava múltiplas escoriações e ferimentos visíveis nos membros inferiores quando falou aos jornalistas, no local onde tinha sido atingida horas antes. Maja Lewecka garantiu ainda ter sido “bem assistida” no Hospital de Portimão.
Esta é a primeira visita da jovem a Portugal. Quando deixar o país, na quarta-feira, levará consigo uma “má memória”, mas também a consciência de que “podia ter sido pior”.
Maioria dos feridos em atropelamento em Albufeira já teve alta
A maioria dos 12 feridos no atropelamento ocorrido hoje de madrugada na zona da Oura, em Albufeira, já teve alta, estando duas pessoas internadas no Hospital de Portimão, disse à Lusa fonte hospitalar.
Segundo a fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, tiveram alta dos hospitais de Faro e de Portimão seis feridos ligeiros, mantendo-se, neste último, internados dois feridos graves.
O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Albufeira também recebeu pessoas que ficaram feridas no atropelamento, quatro das quais já tiveram alta, enquanto outras quatro ainda se mantinham em observação às 16:00, disse a mesma fonte.
Entre os 12 feridos estão dois militares da Guarda Nacional Republicana (GNR). As vítimas não militares são jovens entre os 18 e 22 anos, segundo o Ministério da Administração Interna.
Condutor ignorou sinalização e ordens de paragem
A avenida Francisco Sá Carneiro, que dá acesso à Praia da Oura e onde se concentram vários estabelecimentos de animação noturna, está interdita ao trânsito entre as 19:00 e as 06:00, sendo apenas permitida a circulação de residentes.
O comandante do Destacamento Territorial de Albufeira da GNR, Pedro Pereira, explicou que a rua dispõe de sinais verticais de trânsito proibido e de barreiras de proteção. O condutor terá, contudo, ignorado a sinalização e desobedecido às ordens de paragem dadas pelos militares.
O homem iniciou depois uma fuga “descontrolada”, numa altura em que os passeios e a estrada estavam cheios de pessoas que frequentavam os espaços de diversão noturna.
Alertada para a situação, uma segunda patrulha da GNR subiu a rua e procurou retirar pessoas da trajetória do veículo. Dois militares acabaram por ser abalroados, mas a intervenção terá evitado um número mais elevado de vítimas.
“A ação dos militares da Guarda Nacional Republicana visa isso mesmo, a salvaguarda de terceiros, mesmo colocando a nossa vida em risco”, afirmou Pedro Pereira.
Os dois militares sofreram escoriações e encontram-se bem, acrescentou o comandante.
Dois feridos graves permanecem internados
O incidente provocou 12 feridos. A GNR referiu a existência de um ferido grave, enquanto a Unidade Local de Saúde do Algarve contabilizou duas vítimas em estado grave, que permanecem internadas em Portimão.
A situação clínica dessas duas pessoas é uma das diligências ainda em curso antes de o detido ser apresentado a tribunal, indicou Pedro Pereira.
“O detido, neste momento, encontra-se na cela do Destacamento Territorial de Albufeira. A Polícia Judiciária encontra-se a desenvolver diligências e a apresentação do detido [a tribunal] será à ordem do senhor procurador”, declarou.
O suspeito, de 35 anos, encontrava-se de férias em Albufeira. Foi detido com uma taxa de alcoolemia de 1,29 gramas de álcool por litro de sangue e submetido também a testes toxicológicos.
O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária e, de acordo com o comandante da GNR, encontra-se “em resolução”, embora ainda estejam a decorrer “várias diligências”.
Comerciantes pedem mais policiamento
Durante parte do dia, a conhecida rua dos bares mantém-se calma e serve de passagem a quem se dirige à praia. A partir do meio da tarde e durante a noite, a concentração de pessoas e o consumo de álcool originam conflitos e desacatos, relataram à Lusa vários comerciantes da zona.
Os lojistas, que pediram para não ser identificados por recearem represálias, alegaram ainda que existem pessoas que se dedicam à venda de produtos estupefacientes naquela área, contribuindo, na sua opinião, para um clima de insegurança.
Um dos comerciantes defendeu o reforço do policiamento e a realização de operações nos estabelecimentos de diversão noturna para detetar eventuais drogas, recordando que esse tipo de fiscalização era mais frequente há alguns anos.
“A polícia iria encontrar ali muita coisa”, afirmou.
Pedro Pereira rejeitou, contudo, que a zona seja insegura. O comandante associou os incidentes à concentração de um elevado número de pessoas e ao consumo excessivo de álcool, que deixa um público maioritariamente jovem “num estado eufórico e até de vulnerabilidade”, podendo torná-lo vítima de ilícitos.
“Cria essa imagem [de insegurança] fruto das incivilidades, não por causa ou em razão da criminalidade”, sustentou, acrescentando que os incidentes ocorrem sobretudo durante a noite e de madrugada.
Leia também: Dois feridos graves ficam internados após atropelamento na Oura
















