O Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês, em Silves, vai reabrir ao público no próximo dia 11 de julho, devolvendo à cidade, ao concelho e à região do Algarve um dos mais relevantes espaços de património industrial da Europa.
A reabertura oficial ao público decorrerá entre as 18:00 e as 21:00, mediante inscrição prévia obrigatória no site https://www.museudacorticasilves.pt/. Antes disso, no dia 4 de julho, realiza-se uma cerimónia institucional reservada a convidados e representantes do Estado e do Município.
Segundo o Município de Silves, este momento “devolve à memória coletiva da cidade e do concelho de Silves, bem como à região do Algarve, um dos mais importantes espaços de património industrial da Europa”.
Fundada a 2 de janeiro de 1894 pelos industriais Avern, Sons & Barris, a Fábrica do Inglês foi, durante mais de um século, o coração económico e social de Silves. Modernizada em 1918 por Victor Sadler, o “Senhor inglês” que deu nome ao complexo, viria a consolidar-se como uma das maiores unidades corticeiras do país, empregando várias gerações de silvenses.
Em 1999, o espaço foi reconvertido num empreendimento cultural e turístico. O Museu da Cortiça, que preservou uma rara linha de produção industrial intacta, recebeu, em 2001, o Prémio Luigi Micheletti para Melhor Museu Industrial da Europa, ano em que ultrapassou a marca dos 100 mil visitantes.
Reabertura marca nova etapa após mais de 16 anos de encerramento
Depois da insolvência e do encerramento em 2009, o complexo iniciou uma nova fase em setembro de 2025, com a aquisição pela Antrix, S.A., que assumiu o objetivo de fazer renascer a Fábrica do Inglês como destino cultural e turístico de referência.
O projeto inclui a reabertura e funcionamento do Museu da Cortiça. O Município de Silves congratula publicamente a Antrix, S.A., na pessoa do seu CEO, Erik de Vlieger, “pela visão e determinação em investir cerca de 50 milhões de euros neste projeto”, devolvendo à cidade um património de elevado valor histórico, cultural e identitário.
A viabilização desta reabertura resulta também, segundo a autarquia, de anos de trabalho contínuo do executivo municipal permanente da Câmara Municipal de Silves, centrado na proteção jurídica, técnica e física do património cultural, em especial do edifício do museu e do respetivo espólio museológico.
Entre as principais ações desenvolvidas, o município destaca a inventariação e avaliação dos bens culturais do museu, iniciada em 2014, a realização de vistorias municipais regulares e intervenções de restauro para travar a degradação das peças.
A autarquia refere ainda a cooperação técnica com o Património Cultural, I.P. para a instauração, a 7 de março de 2016, do procedimento de classificação da Fábrica do Inglês, incluindo jardins e património móvel, subscrito pela APAI – Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial como Bens de Interesse Público, processo que ainda decorre.
Município destaca proteção do espólio e homenageia Manuel Ramos
Outro passo relevante foi a classificação do espólio móvel como Bem de Interesse Municipal, a 23 de outubro de 2023, impedindo legalmente a saída ou divisão do acervo sem prévia autorização do Município de Silves.
A Câmara Municipal destaca igualmente a intervenção ativa na captação de investimento privado alinhado com a preservação histórica da Fábrica do Inglês e com a reabertura do seu museu.
De acordo com o Município de Silves, “a reabertura do Museu da Cortiça constitui um processo de restituição de um espaço encerrado à mais de 16 anos”, uma vez que irão ainda decorrer trabalhos de ultimação da estrutura edificada, de reposição dos núcleos da exposição de longa duração e de integração de novos bens culturais móveis da coleção museológica.
A finalidade, acrescenta a autarquia, é devolver este património “à cidade, ao Algarve, à cultura museológica portuguesa e ao património industrial do país”.
O Município de Silves aproveita ainda este marco histórico para homenagear o Professor Manuel Ramos, antigo diretor do Museu da Cortiça, considerando que “o seu apego emocional e ativismo incansável foram vitais para que este precioso legado de Silves nunca se perdesse ou caísse no esquecimento”.
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