A Associação Cultural República 14, em Olhão, recebe no próximo dia 7 de março, às 16:30, uma conversa pública dedicada à situação atual na Palestina e ao movimento internacional de solidariedade com o povo palestiniano. A iniciativa é promovida pela plataforma cívica apartidária Algarve pela Palestina e terá como convidado o ativista António Tonga.
De acordo com a organização, o encontro pretende refletir sobre o atual contexto político e humanitário no território palestiniano e sobre a mobilização internacional em torno da causa.
Segundo a plataforma, a iniciativa propõe-se analisar “o ponto de situação na Palestina e o movimento global pró-Palestina”, num debate aberto à comunidade e de entrada livre.
Organização alerta para “falsa sensação de paz” após cessar-fogo
No comunicado divulgado, a plataforma Algarve pela Palestina afirma que, “desde o início do pseudo ‘cessar-fogo’, em outubro 2025, que a ilusão de que o genocídio do povo palestiniano, por Israel, terminou, se tem tornado a norma na perceção da sociedade civil internacional”.
A organização considera que “esta falsa sensação de ‘paz’ na Palestina fez com que muites deixassem de sentir a urgência de continuar a lutar e com que outres que se sentissem perdides, sem saber como ou por onde continuar”.
No entanto, acrescenta, “apesar do ‘plano de paz’ assinado, Israel continua a destruir, a matar e a ocupar, mantendo o seu objetivo inicial: a limpeza étnica do povo Palestiniano e a total anexação do seu território”.
A plataforma sublinha ainda que “é, pois, vital que não se esgote neste suposto ‘cessar-fogo’ a ação externa, porque sem justiça não há paz: tem de haver um fim efetivo à ocupação e genocídio na Palestina e a responsabilização de Israel pelos seus crimes contra a humanidade”.
Plataforma aponta violações do cessar-fogo e do direito internacional
A organização refere também que, “desde o estabelecimento dos ditos ‘cessar-fogo’ e acordo de paz, contam-se centenas de violações dos mesmos e do direito internacional por Israel”.
Entre os exemplos indicados no comunicado estão “mais 600 mortos e 1500 feridos em ataques israelitas”, bem como “a anexação ilegal de mais território palestiniano, formalizando mais 19 novos colonatos na Cisjordânia, num total de 69, desde 7 de outubro de 2023, e em violação de todas as convenções internacionais”.
Segundo a plataforma, “a violência nesse território aumentou drasticamente, com o exército israelita a defender ativamente as crescentes agressões dos colonos”.
A organização afirma ainda que Israel “tentou ilegalizar a presença e trabalho de 35 agências humanitárias internacionais que operam em toda a Palestina”, referindo que a decisão acabou por ser revertida, embora “o Estado de Israel tenha logrado impedir o acesso das mesmas a Gaza desde 1 de janeiro”.
O comunicado acrescenta que Israel “continua a visar, nos seus ataques, jornalistas, profissionais de saúde e de agências humanitárias”, mantendo também “o território fechado à imprensa e ajuda humanitária internacionais”.
Debate pretende refletir sobre contexto internacional
A plataforma enquadra ainda a iniciativa no atual cenário internacional, afirmando que “a urgência da luta pela libertação da Palestina adensa-se no momento em que os EUA e Israel atacam o Irão unilateralmente, sem mandato da ONU e enquanto decorrem supostas negociações sobre o programa nuclear iraniano”.
Segundo a organização, esta situação “abre espaço para que as forças militares americanas ocupem a região” e constitui “mais uma ilegalidade flagrante perante o direito internacional”.
A plataforma acrescenta que esta situação “impõe a Gaza novo cerco total, fechando todas as fronteiras ao acesso de ajuda humanitária e evacuação de civis, colocando-a novamente sob fome forçada, com a justificação da proteção de Israel das retaliações iranianas”.
No debate em Olhão, os organizadores pretendem promover “uma conversa sem tabus sobre a situação atual na Palestina, o movimento pró-Palestina na Europa e a sua repressão na Inglaterra e Alemanha”, incluindo também exemplos de mobilização noutros países.
Ativista António Tonga é o convidado
O encontro contará com a participação de António Tonga, ativista nascido em Angola em 1993 e criado na diáspora.
Apresentando-se como um “Angolano da Margem Sul e Africano da Europa”, António Tonga é militante antirracista, fundador do coletivo Consciência Negra e integrante do movimento Em Luta.
Ao longo dos últimos anos tem participado na organização de protestos contra a violência policial, pela habitação digna e contra a glorificação do colonialismo, defendendo também a memória histórica e a justiça social.
A plataforma Algarve pela Palestina convida “toda a população a juntar-se a nós para discutir, pensar e organizar a imprescindível luta por uma Palestina livre e pelo fim do colonialismo”.
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