O Movimento Cívico “Por uma Ponte Pedonal para a Ilha de Cabanas” (APAPC) voltou a defender a criação de uma ligação pedonal à praia, depois de uma nova manifestação realizada a 10 de agosto na Marginal de Cabanas de Tavira.
Segundo o movimento, o cordão humano reuniu várias centenas de pessoas, numa participação que terá superado a registada em 2023, quando foi organizada uma iniciativa semelhante. Em 2025, a mesma causa esteve também na origem de um concerto que juntou artistas naturais de Cabanas.

Os participantes concentraram-se no passadiço da Marginal, onde deram as mãos e entoaram palavras de ordem em defesa de um acesso pedonal direto à praia durante todo o ano. A APAPC recorda que essa ligação existia anteriormente com a maré baixa, tendo sido interrompida após trabalhos de dragagem na ria.
O comunicado, assinado pelo presidente da APAPC, José António Leite Pinto, centra as críticas no enquadramento administrativo e ambiental que tem condicionado a proposta e sustenta que existem fundamentos legais que permitem voltar a discutir a construção de um passadiço pedonal.
Movimento contesta parecer negativo da APA
A APAPC refere que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu um parecer negativo há cerca de cinco ou seis anos, enquanto o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) se pronunciou favoravelmente na mesma altura.
O movimento assinala ainda que, em 2021, o executivo municipal aprovou a adaptação do Plano Diretor Municipal (PDM) ao Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa (POPNRF), incluindo uma exceção destinada a passadiços pedonais ligeiros de uso coletivo. Ainda assim, acusa a autarquia de ter continuado a aceitar publicamente a inviabilidade indicada no parecer da APA.

A associação contesta também a interpretação baseada no Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC-VMVRSA). Segundo o comunicado, a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) terá considerado que esse instrumento não é aplicável à área por esta se encontrar sob jurisdição portuária da Docapesca.
A APAPC acrescenta que a Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2009 prevê uma exceção à interdição de construção em ‘zona lagunar de uso restrito’ e ‘zona parcial de proteção Tipo I’ para passadiços pedonais ligeiros de uso coletivo. Refere ainda que o ICNF considerou legalmente viável uma das soluções de atravessamento apresentadas pela Câmara de Tavira e que o PDM adaptado em 2021 contempla igualmente essa possibilidade.
APAPC critica atual modelo de travessia marítima
Outro dos argumentos apresentados pelo movimento prende-se com o atual sistema de transporte marítimo até à ilha. A APAPC afirma que a IGAMAOT classificou esta operação como ilegal e sustenta que as travessias são realizadas fora de canais de navegação cartografados e sem autorização obrigatória do ICNF.
Segundo o comunicado, no pico do verão são realizadas cerca de 2.000 viagens por dia. O movimento refere ainda que as ‘licenças históricas’ anteriores a 2009 foram consideradas juridicamente insuficientes.

A APAPC argumenta que a construção de um passadiço pedonal permitiria reduzir a pressão associada à atual operação marítima e às dragagens periódicas. Segundo o movimento, no canal de Cabanas estas intervenções envolvem cerca de 14.000 metros cúbicos e têm impacto nas pradarias marinhas protegidas pela Rede Natura 2000.
Assembleia Municipal aprovou moção por unanimidade
O movimento sustenta que existe atualmente uma convergência política favorável à construção da ligação pedonal, recordando que os candidatos à Junta de Freguesia de Cabanas de Tavira e à Câmara Municipal de Tavira integraram esta proposta nos respetivos programas nas últimas eleições autárquicas.

A 18 de junho de 2026, a Assembleia Municipal de Tavira aprovou por unanimidade, com votos de PSD, PS e CHEGA, uma moção a exigir a construção do passadiço. Para a APAPC, esta decisão representa uma alteração na posição do executivo municipal e abre caminho à discussão e avaliação da solução.
José António Leite Pinto considera ainda que a dimensão da causa ultrapassa o plano local, apontando para uma petição pública com mais de 9.000 assinaturas validadas pela Assembleia da República. De acordo com o comunicado, o próximo passo institucional deverá passar pelo debate da iniciativa em plenário.
Movimento promete manter mobilização
A APAPC afirma que a manifestação realizada a 10 de agosto pretendeu voltar a colocar pressão sobre as entidades competentes para que seja encontrada uma solução para o acesso pedonal à praia.

No comunicado, o movimento sustenta que a forte mobilização demonstra que habitantes e apoiantes da causa pretendem manter a reivindicação ativa enquanto não existir uma resposta institucional.
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