A cidade de Quarteira sentiu este verão a redução da procura por parte de turistas portugueses, com os concessionários de praia a registarem uma menor afluência de banhistas. A quebra surge num cenário em que o aumento dos preços e a perda de poder de compra afastaram parte do mercado nacional de classe média do Algarve, enquanto o turismo de luxo manteve uma procura mais elevada.
Nélson Guerreiro, responsável pela concessão Praia Azul e representante dos concessionários de praia de Quarteira, descreve a temporada como “um verão um pouco mais fraco com menos afluência de banhistas”. A realidade sentida nas praias da cidade acompanha, assim, uma tendência identificada por empresários do setor turístico algarvio.
Quarteira entre as zonas mais afetadas
De acordo com o Correio da Manhã, Quarteira foi uma das zonas balneares onde a redução da procura nacional se fez sentir de forma mais evidente. Armação de Pêra, Praia da Rocha e Monte Gordo são igualmente apontadas entre as localidades afetadas pela diminuição do poder de compra dos turistas portugueses.
João Guerreiro, presidente da Associação de Empresários de Quarteira e Vilamoura, identifica uma diferença entre os vários segmentos do mercado. Segundo o responsável, houve “uma subida de vendas na restauração e hotelaria de luxo”, enquanto o segmento médio baixo, sobretudo dependente do mercado nacional, registou uma quebra.
O preço tornou-se um fator decisivo
A subida dos preços na região terá levado parte dos portugueses a procurar alternativas mais baratas para as férias ou, em alguns casos, a permanecer em casa. O impacto foi particularmente sentido nos negócios direcionados para consumidores com menor capacidade de despesa.
O responsável pela Associação de Empresários de Quarteira e Vilamoura dá como exemplo alguns empresários de alojamento local que enfrentaram dificuldades mesmo depois de reduzirem os preços. “Na última semana de agosto tinham os preços mais baixos em relação ao ano passado e tiveram quebras de vendas na ordem dos 20%”, afirmou João Guerreiro.
Turismo de maior poder de compra resistiu
A evolução não foi, contudo, igual em todos os segmentos. Hélder Martins, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, salienta que os estabelecimentos com preços mais elevados tiveram uma procura significativa por parte de portugueses.
“Quem tem os produtos mais caros esteve cheio de portugueses, nunca trabalhou como agora. Quem trabalha para um preço mais baixo é que sofreu”, afirmou o responsável. A diferença entre os dois segmentos ajuda a explicar por que razão uma menor procura nacional não se traduziu numa quebra equivalente das taxas de ocupação hoteleira.
Estrangeiros compensaram parte da quebra
No conjunto do Algarve, a ocupação durante o pico do verão manteve-se próxima dos 90%. A redução do número de turistas portugueses foi parcialmente compensada pela chegada de visitantes de outros mercados.
O aeroporto de Faro registou um aumento de 5% no tráfego, segundo Hélder Martins. “Não baixámos a ocupação drasticamente, houve uma compensação de outros mercados”, explicou o presidente da associação hoteleira.
Setembro deverá trazer outro perfil
Para setembro e outubro, os empresários do setor estimam taxas de ocupação próximas dos 80%. A expectativa é de que o perfil dos visitantes seja diferente do registado no segmento nacional que perdeu expressão durante o verão.
Conforme o Correio da Manhã, os hoteleiros antecipam para esses meses turistas com maior poder de compra. No conjunto da época, o setor estima terminar 2026 com uma quebra entre 1% e 2%, embora a evolução tenha sido diferente consoante o tipo de alojamento e o mercado de origem dos visitantes.
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