Uma deslocação profissional a Portugal acabou por levar o jornalista britânico Stephen Powell a tomar uma decisão que não estava nos planos iniciais: mudar-se para o Algarve. Depois de conhecer o país através de uma longa caminhada e de publicar um livro sobre essa experiência, decidiu regressar e fixar-se perto de Tavira, onde comprou uma casa e passou a participar na vida da comunidade local.
Segundo a revista Forbes, a primeira oportunidade surgiu no início da década de 1990, quando Powell foi convidado para trabalhar como correspondente em Lisboa. Na altura, porém, preferiu regressar a Londres e recusou a possibilidade de viver em Portugal. A ligação ao país acabaria por surgir muitos anos depois, já numa fase diferente da sua carreira.
Em 2018, depois de escrever um livro, procurava uma nova ideia para um projeto. Foi então que surgiu a possibilidade de atravessar Portugal a pé. “Porque não percorro Portugal de uma ponta à outra a pé?”, recorda o jornalista, que encarou a viagem como uma espécie de missão jornalística. A experiência deu origem ao livro Walking Europe’s Edge, Reflections on Portugal.
Da caminhada à mudança para o Algarve
A viagem acabou por alterar a relação de Powell com o país. Depois de percorrer Portugal, regressou cerca de nove meses mais tarde, desta vez com a intenção de viver no Algarve. A escolha foi influenciada, entre outros fatores, pelo ritmo de vida e pela possibilidade de estar perto de diferentes destinos.
“Portugal tem uma história tão rica e é um lugar tão agradável e acolhedor”, afirmou o jornalista, citado pela Forbes. A hospitalidade dos portugueses e as amizades que foi criando também contribuíram para a decisão de permanecer no país.
Outro fator apontado por Powell foi a facilidade de comunicação. A presença histórica britânica e a comunidade estrangeira instalada em Portugal fazem com que o inglês seja frequentemente utilizado como língua comum entre residentes de diferentes nacionalidades.
Primeiro Faro, depois a zona de Tavira
A instalação no Algarve não começou imediatamente com a compra de uma casa. Stephen Powell arrendou primeiro uma habitação recuperada no centro histórico de Faro, onde permaneceu durante cerca de ano e meio, incluindo dois períodos de confinamento durante a pandemia.
“Se tivesse de ficar preso em algum lugar, Faro não era um lugar mau para se estar”, recorda, referindo a possibilidade de continuar a ter acesso à praia e de manter alguma ligação ao exterior. A experiência de arrendamento permitiu-lhe conhecer melhor a região antes de tomar uma decisão definitiva.
Em 2022, comprou a atual casa no campo, nos arredores de Tavira. A propriedade tem terrenos onde cultiva diferentes produtos, entre os quais cenouras, oliveiras e uvas para vinho. A atividade agrícola acabou também por aproximá-lo dos vizinhos e de outros residentes da zona.
Entre azeitonas, vinho e novas amizades
A apanha da azeitona tornou-se uma das atividades através das quais Powell passou a participar na comunidade. Quando chega a época, junta amigos para recolher as azeitonas e levá-las a um lagar da zona, onde são misturadas com a produção de outras pessoas para a extração de azeite.
“Há realmente uma espécie de sentimento de comunidade nesta atividade”, descreve o jornalista. O mesmo aconteceu com a produção de vinho. No final de agosto, juntou-se a amigos e vizinhos para colher uvas, com a ajuda de um agrónomo português que o acompanhou no processo de produção.
A integração não se ficou pelas atividades agrícolas. Powell continuou a trabalhar como escritor e, recentemente, organizou com outro residente britânico um retiro de escrita de viagens. Entre os participantes estavam cinco mulheres, quatro das quais norte-americanas a viver em Portugal.















