O dia 11 de julho de 1965 marcou um dos momentos mais relevantes da história recente do Algarve, com a inauguração do Aeroporto de Faro pelo então Presidente da República, Américo Tomás. A abertura desta infraestrutura, acompanhada pela entrada em funcionamento da estrada de acesso a partir da EN125, representou um novo capítulo para a mobilidade e para o desenvolvimento da região.
Hoje designado oficialmente Aeroporto Gago Coutinho, desde a Resolução do Conselho de Ministros n.º 57/2022, o aeroporto continua a ser uma das principais portas de entrada no Algarve e uma peça central da economia regional.
Dia preparado ao detalhe
A visita presidencial ao Algarve prolongou-se durante três dias, entre 11 e 13 de julho de 1965, mas foi a manhã de 11 de julho que concentrou os momentos mais simbólicos. Américo Tomás partiu da Pousada de São Brás de Alportel em direção a Faro, onde percorreu várias ruas da cidade acompanhado por muitas pessoas.
A imprensa da época descreveu ruas decoradas com bandeiras, colchas e flores, enquanto a população saudava a comitiva presidencial. Antes de seguir para o aeroporto, o chefe de Estado participou numa sessão solene na Câmara Municipal de Faro, onde recebeu as chaves da cidade e ouviu intervenções das autoridades locais.
Estrada abriu antes do aeroporto
Ainda antes da cerimónia principal, foi inaugurada a nova estrada que ligava a EN125 ao aeroporto. A infraestrutura tinha cerca de oito quilómetros de extensão até à Praia de Faro, uma plataforma de 11 metros de largura e representou um investimento de cerca de cinco mil contos.
Só depois dessa cerimónia a comitiva seguiu para o novo aeroporto, onde milhares de pessoas aguardavam junto às vedações. O jornal O Século descreveu o ambiente como uma demonstração da expectativa criada em torno daquela obra, considerada uma das maiores aspirações da região.
Cerimónia com convidados nacionais e estrangeiros
A chegada ao aeroporto contou com várias entidades civis e militares. O diretor da infraestrutura, Manuel Torres de Mendonça Alexandrino, recebeu a comitiva juntamente com o ministro das Comunicações e o diretor-geral da Aeronáutica Civil.
Pouco antes das 12:30 h aterrou o avião “Infante D. Henrique”, da TAP, proveniente de Lisboa, transportando dezenas de convidados. Antes disso, pelas 09:59 h, já tinha aterrado um DC-3 da Direção-Geral da Aeronáutica Civil, frequentemente referido como o primeiro avião a chegar ao novo aeroporto no dia da inauguração.
Entre os convidados que chegaram de Lisboa estava também o ministro das Comunicações da então República Federal Alemã, Hans-Christoph Seebohm. Várias avionetas de aeroclubes nacionais participaram nas celebrações.
Discursos sobre o futuro da região
Durante a cerimónia oficial realizaram-se vários discursos que destacaram a importância estratégica da nova infraestrutura para o Algarve e para o país. O presidente da Câmara de Faro afirmou que aquela era uma das maiores obras alguma vez realizadas na região.
Já Américo Tomás declarou que o aeroporto “não é apenas um melhoramento do Algarve, porque é um melhoramento de todo o país”, segundo a evocação histórica publicada pelo Sul Informação. Também o bispo do Algarve, D. Francisco Rendeiro, que presidiu à bênção do aeroporto, associou a obra a uma antiga aspiração regional ligada ao crescimento do turismo internacional.
Aeroporto pensado para crescer
O ministro das Comunicações destacou igualmente que os aviões da TAP passariam a escalar Faro com regularidade, prevendo um aumento das ligações sempre que a procura o justificasse. A obra foi construída praticamente com recurso a técnica, mão de obra e materiais portugueses, à exceção de alguns equipamentos especializados.
No final da cerimónia, Américo Tomás descerrou uma lápide comemorativa, visitou a torre de controlo e o edifício principal e participou num almoço oferecido aos convidados. Numa época em que as medidas de segurança eram bastante diferentes das atuais, a visita decorreu com grande proximidade entre a população e a comitiva presidencial.
Infraestrutura que mudou o Algarve
Depois da inauguração, a visita oficial prosseguiu por outros concelhos algarvios, incluindo Alcoutim, Vila Real de Santo António, Tavira, Olhão, Loulé, Lagoa e Portimão, onde foram inauguradas diversas obras públicas.
Volvidas mais de seis décadas, o Aeroporto de Faro continua a ser apontado como uma das infraestruturas mais determinantes para o desenvolvimento económico da região. Apenas um ano após a abertura, em 1966, já registava perto de 59 mil passageiros. Décadas depois, a escala é muito diferente. A VINCI Airports, atual concessionária através da ANA, indica que o Aeroporto de Faro ultrapassou 10,3 milhões de passageiros em 2025.
A inauguração de 11 de julho de 1965 não foi apenas a abertura de uma pista e de uma aerogare. Foi o início de uma nova ligação do Algarve ao exterior, num momento em que o turismo internacional começava a transformar profundamente a região.
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