Perante a aproximação do limite dos aterros de Loulé e Portimão, o Governo vai avançar com o estudo de uma unidade de valorização energética de resíduos no Algarve, capaz de produzir energia e reduzir a quantidade de lixo enviada para deposição.
O anúncio foi feito a 8 de agosto, em Faro, pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, durante as comemorações do 50.º aniversário da Associação da Ilha do Farol de Santa Maria.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) deverá lançar, a 15 de outubro, um concurso destinado a estudar as soluções tecnológicas e a localização da futura unidade.
Aterros próximos do limite
Os dois aterros em funcionamento no Algarve dispõem de uma capacidade reduzida. De acordo com a ministra, um deles tem espaço para cerca de um ano e meio e o outro para dois anos.
Está prevista a construção de uma nova célula em cada infraestrutura, aumentando a capacidade de deposição durante aproximadamente sete anos e meio.
“Mas isto dá-nos até 2034-2035 para ter uma solução definitiva para os resíduos no Algarve”, alertou Maria da Graça Carvalho.
A governante considerou que a resolução deste problema é indispensável para a qualidade de vida dos residentes e para a atividade turística.
“Não há região com turismo de qualidade ou com qualidade de vida para os seus residentes que não resolva o problema dos resíduos. É essencial nós resolvermos o problema dos resíduos”, afirmou.
Algarve produz 400 mil toneladas por ano
O Algarve gera anualmente cerca de 400 mil toneladas de resíduos e envia 85% desse volume para aterro.
A percentagem supera a média nacional, de 56%, e está muito acima das metas europeias referidas pela ministra, que apontam para 14% em 2030 e 10% em 2035.
“O Algarve está a mandar 85% para aterro e está a subir. Há pouco tempo era 80%, neste momento é 85%”, salientou Maria da Graça Carvalho.
Nos últimos quatro anos, a produção de resíduos na região aumentou 13%, evolução que a governante relacionou com o crescimento da população e do turismo.
O Algarve apresenta também a maior produção de resíduos por habitante do país. A ministra explicou que o indicador é influenciado pela elevada presença turística, uma vez que os visitantes produzem lixo, mas não são contabilizados nas médias da população residente.
“Não é uma política certa construir mais aterros, quando nós precisamos diminuir para 10% e estamos a 85%”, defendeu.
Unidade poderá produzir energia
A solução definitiva deverá passar por uma unidade de valorização energética, embora a tecnologia e a localização ainda tenham de ser estudadas.
“É muito natural que se vá para a valorização energética dos resíduos”, afirmou Maria da Graça Carvalho, referindo-se à produção de energia através da queima de lixo.
O projeto será preparado em articulação com os 16 municípios algarvios, representados pela Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).
A ministra comparou o processo de escolha da localização ao adotado para a futura dessalinizadora, garantindo que será desenvolvido em coordenação com os presidentes das câmaras municipais.
“Tudo feito em coordenação com os presidentes, que representam a população”, assegurou.
Maria da Graça Carvalho considerou ainda “importantíssimo” aproveitar os financiamentos europeus disponíveis e encontrar uma solução que seja aceite pelas populações, de modo a evitar obstáculos posteriores à concretização da obra.
A.Pinto / HDF
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