A poucos dias do arranque do ano letivo, continuam por preencher milhares de horários docentes em todo o país, incluindo no Algarve, com o distrito de Faro entre as zonas mais afetadas. A Federação Nacional de Professores (Fenprof) denunciou esta terça-feira que persistem “2.650 horários em oferta de escola que correspondem a mais de 50 mil horas”.
Em conferência de imprensa, em Lisboa, um dos secretários-gerais da Fenprof, José Feliciano Costa, alertou para o impacto que esta carência poderá ter nas escolas, sublinhando que, “se o ano letivo começasse agora, milhares de alunos não teriam hoje os seus professores”.
Entre os horários ainda por preencher, “2.152 são completos e anuais”, situação que, segundo o dirigente sindical, evidencia as “necessidades estruturais das escolas”. José Feliciano Costa ressalvou, contudo, que os números são ainda provisórios, uma vez que apenas foram contabilizadas as ofertas já disponibilizadas.
“O retrato pode ainda agravar-se”, advertiu o secretário-geral da Fenprof, acrescentando que o aumento de 30% dos horários em oferta de escola demonstra que os estabelecimentos de ensino “continuam a ter dificuldades em encontrar os professores de que necessitam”.
Lisboa concentra mais horários por preencher, seguida de Setúbal e Faro
O caso mais grave verifica-se na grande Lisboa, com a zona da capital a ter “1.426 horários em oferta de escola”, seguido de Setúbal e Faro.
Contudo, “não estamos a falar de um problema localizado numa ou noutra escola”, mas “sim um problema em todo o país”, salientou o dirigente sindical.
Em particular, José Feliciano Costa referiu que há “378 horários completos do primeiro ciclo” por preencher, colocando milhares de alunos sem aulas, o que mostra que a “dimensão das necessidades é significativa”, com destaque para agrupamentos em Queluz (Sintra), Amadora, Loures e Agualva (Sintra), na periferia de Lisboa.
“O aumento ao recurso à contratação de escola é um sinal de que as escolas têm dificuldade em assegurar as contratações de que precisam”, disse, salientando que se tem assistido ao agravamento das condições de trabalho dos profissionais, com “recurso ao trabalho extraordinário” do quadro existente.
“Pedir mais horas a quem está já sobrecarregado não resolve o problema de falta de professores”, avisou.
Por outro lado, a Fenprof pediu atenção à renovação da classe, salientando que, só em setembro se vão reformar mais de 550 docentes, um problema que não tem resposta, porque, acusou José Feliciano Costa, o Governo não tem políticas para favorecer a entrada dos jovens na profissão.
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