Dois militares da GNR de Tavira admitiram em tribunal ter extorquido dinheiro a imigrantes, embora tenham negado a existência de ameaças ou violência. Segundo o Correio da Manhã, José Augusto e Diogo Ribeiro estão a ser julgados por 27 crimes alegadamente cometidos contra imigrantes indostânicos entre junho de 2024 e fevereiro de 2025. O Ministério Público estima que os arguidos tenham conseguido cerca de 1800 euros junto de 24 vítimas.
A confissão parcial foi feita na quinta-feira, durante a segunda sessão do julgamento, que decorre no Tribunal de Faro. Confrontados com vários episódios descritos na acusação, os dois militares recusaram comentar cada caso em detalhe. Ainda assim, admitiram ter recebido dinheiro de cidadãos estrangeiros, sustentando que não existia qualquer esquema organizado nem uma seleção prévia das vítimas em função da sua origem.
Arguidos dizem que “era o que calhava”
De acordo com o Correio da Manhã, os militares afirmaram em tribunal que os alvos “não eram imigrantes indostânicos” e que as situações aconteciam conforme surgiam no serviço. “Era o que calhava”, terão dito, afastando a ideia de uma atuação planeada ou dirigida contra uma comunidade específica.
A acusação, porém, descreve um conjunto de episódios em que os arguidos terão inventado infrações para exigir dinheiro a imigrantes. Num dos casos, uma das vítimas terá ficado sem dinheiro para comer depois de entregar 60 euros aos militares, na sequência de uma abordagem enquanto circulava de bicicleta sem documento de identificação.
Os dois militares foram detidos em maio de 2025 por colegas da própria GNR, depois de vários meses de investigação. O processo terá recorrido a escutas captadas no interior de uma viatura da Guarda, que ajudaram a sustentar a acusação do Ministério Público.
José Augusto e Diogo Ribeiro respondem por crimes de concussão, falsificação de documentos, abuso de poder, burla qualificada, peculato e ofensas à integridade física. Neste momento, encontram-se em prisão domiciliária enquanto decorre o julgamento.
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