A algarvia Noélia Jerónimo, de 54 anos, refere que o marido, José Eduardo, também é apaixonado pela gastronomia, afirmando: “O meu marido cozinha muito bem, melhor do que eu”. No entanto, nem tudo corre sempre como esperado e, em 2024, Noélia passou por uma fase exigente, tendo de abrandar o ritmo de trabalho por motivos de saúde, conforme revelou em entrevista à NiT.
“Era uma máquina de trabalho”, explica Noélia à mesma fonte, ou “assim achava”. O êxito que vinha atingindo com o seu restaurante em Cabanas de Tavira — reconhecido no Guia Michelin — e a participação como jurada num conhecido programa de culinária parecia imparável, até que uma cirurgia a obrigou a repensar prioridades.
“A máquina avariou”, recorda. “Virei uma máquina avariada. Senti que de um momento para o outro as energias me foram tiradas. Quis estar presente em muita coisa e nem sempre consegui.”
O regresso à paixão
Determinada em retomar a sua paixão, Noélia voltou ao activo com novos projectos e com a mesma dedicação de sempre.
“Não é só glamour. Dou muitos berros na cozinha, porque às vezes é preciso fazer-nos ouvir, levantar a voz, sobretudo como mulher. Mas não invalida que tudo o que faça seja com amor, à cozinha, ao Algarve, à equipa”, ressalva, sublinhando que, apesar das dificuldades, nunca perdeu a paixão por receber e cozinhar para clientes, amigos e colegas.
A sua história na gastronomia começou ainda na adolescência. Com 14 anos, trabalhava na Pastelaria Jerónimo, em Cabanas, onde viria a conhecer José Eduardo.
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O apoio fundamental da família
“Não é fácil ser mulher, chef e mãe ao mesmo tempo. Não podemos baixar os braços e temos de ter pessoas incríveis à nossa volta”, afirma à NiT. Destaca ainda o apoio do marido, da mãe e da tia como essenciais para poder arriscar e crescer profissionalmente.
“O meu marido cozinha muito bem, melhor do que eu”, revela. Na época, ambos chegaram a ter uma pizzaria, mas a chef acabou por se dedicar aos pratos portugueses e, sobretudo, aos peixes da ria. Em 2007, reinventou o conceito e nasceu o primeiro restaurante em seu nome, um espaço que continua a ser ponto de paragem obrigatória para quem procura sabores autênticos do Algarve.
Autodidacta e fiel às origens
Autodidata convicta, diz que a aprendizagem é parte do seu dia-a-dia: “Tenho mais de 300 livros em casa só relacionados com comida. Adoro estudar e ler. Costumo até dizer que me deito com um livro e acordo com outro. É fundamental sermos humildes e aprendermos.”
Noélia revela ainda à mesma fonte que continua a escrever diariamente o menu à mão, adaptando-o à frescura e variedade do peixe disponível. Paralelamente, mantém o compromisso com produtos locais e frescos, adquiridos num raio de poucos metros do restaurante, garantindo assim a máxima qualidade e sabor.
O futuro e a importância da família
Ainda que seja frequentemente convidada a abrir novos espaços noutros pontos do País, Noélia prefere permanecer junto da família. “Continuam a pedir-me para abrir espaços no Porto e Lisboa, mas não é possível. Falta-me a família, as minhas filhas e a minha neta. Não sou ninguém sem elas.” Para já, promete apenas fazer o que mais gosta no Algarve, região onde sente que pode oferecer o melhor do seu talento a quem a visita.
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