Já é oficial que o Algarve vai voltar a receber um Grande Prémio de Fórmula 1. O Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, foi escolhido para ocupar o lugar deixado pelo circuito de Zandvoort e receberá a competição nas temporadas de 2027 e 2028, num acordo que prevê uma forte afluência de público à região.
A entrada do circuito algarvio no calendário acontece depois da saída do Grande Prémio dos Países Baixos, que terminou a sua ligação à Fórmula 1 no final da temporada de 2026. A decisão neerlandesa foi tomada pelos próprios promotores, que consideraram demasiado elevado o risco financeiro de prolongar o contrato.
Regresso ao calendário
O circuito de Portimão já tem experiência na principal competição automóvel mundial. Recebeu duas corridas, em 2020 e 2021, durante a pandemia, ambas vencidas por Lewis Hamilton. Agora, seis anos depois da estreia de Zandvoort no atual ciclo da Fórmula 1, o Algarve volta a entrar no calendário.
O acordo que permite o regresso foi assinado em Londres entre a Fórmula 1, o Governo português e a administração do autódromo, tendo sido oficializado em dezembro de 2025. Com 4,6 quilómetros de extensão, o traçado algarvio é conhecido pelas suas variações de altitude e por um conjunto de curvas que lhe valeu o título de “montanha-russa”.
Saída marcada pelos custos
De acordo com o jornal Observador, a saída de Zandvoort está relacionada sobretudo com questões financeiras. O Grande Prémio neerlandês tinha uma particularidade no calendário da Fórmula 1: era financiado integralmente por fundos privados, sem apoio estatal direto para a realização anual da prova.
O modelo era assegurado pelas empresas SportVibes e TIG Sports, em parceria com o próprio circuito, que assumiam um orçamento anual na ordem dos 70 milhões de euros. Contudo, a margem financeira era reduzida e dependia de uma elevada procura por bilhetes. Robert van Overdijk, diretor do Grande Prémio, explicou ao The Athletic: “Do ponto de vista comercial, não se ganha dinheiro com os primeiros 10.000 bilhetes. Ganha-se com os últimos 10.000”.
Quando vender menos já não chega
Nos dois últimos anos, os organizadores começaram a notar uma redução do interesse do público. O problema agravava-se pelo facto de os Países Baixos terem um mercado interno menor do que outros países com provas de Fórmula 1, como Itália, Reino Unido ou Estados Unidos. Além disso, houve alterações fiscais e aumentos no preço dos bilhetes.
Assim, uma quebra de 20% nas vendas poderia tornar a corrida financeiramente inviável. Por isso, a renovação por mais quatro ou cinco anos foi considerada pelos promotores um “risco demasiado alto”. Chegou a ser equacionada uma rotação com Spa-Francorchamps ou Barcelona, mas a manutenção da estrutura nos anos sem corrida acabaria por não ser sustentável.
Portimão prepara-se para receber milhares
A solução passou por encerrar o ciclo com uma última corrida em 2026 e deixar espaço para outro circuito ocupar a vaga. No Algarve, o cenário será diferente. Jaime Costa, presidente executivo do Autódromo Internacional do Algarve, destacou o regresso da competição e afirmou que este só foi possível com o “apoio contínuo do Governo desde o início”.
O impacto esperado ultrapassa, contudo, a pista de Portimão. Segundo o Governo, citado pelo Observador, a realização do Grande Prémio deverá permitir receber “cerca de 200.000 visitantes ao longo de três dias”. A Fórmula 1 regressa assim ao Algarve em 2027, com nova passagem prevista para 2028.
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