Vila Real de Santo António foi palco de um protesto de 34 elementos do Corpo de Bombeiros de Vila Real de Santo António e Castro Marim, que entregaram simbolicamente os capacetes à porta do quartel, na quarta-feira, 7 de outubro, para manifestarem a insatisfação com a situação que dizem viver na corporação e na Associação Humanitária.
A iniciativa surgiu na sequência de uma carta enviada aos órgãos sociais da Associação Humanitária, na qual os bombeiros apresentam 17 pontos que consideram fundamentais, exigem respostas concretas e manifestam uma “perda irrecuperável de confiança na atual Direção”.

Os signatários deram 48 horas aos órgãos sociais para responderem às reivindicações e exigiram a demissão dos seus membros caso, no seu entendimento, não fossem tomadas medidas perante os problemas denunciados.
Apesar do protesto, os bombeiros asseguram que a resposta às populações de Vila Real de Santo António e Castro Marim não está em causa e que o serviço operacional continuará a funcionar.
Reunião de urgência marcada para esta quinta-feira
Na sequência da situação, o comandante regional de Emergência e Proteção Civil, Vaz Pinto, marcou uma reunião de urgência para esta quinta-feira, 8 de outubro, no quartel dos Bombeiros de Vila Real de Santo António.
Os bombeiros esperam que o encontro permita encontrar respostas para os problemas identificados, reafirmando que a ação não é dirigida contra a população nem coloca em causa a missão de socorro.
Na carta, os elementos do Corpo de Bombeiros afirmam que pretendem garantir condições “dignas” para continuar a servir os dois concelhos e defendem maior investimento, diálogo e independência na gestão da associação.
Carta aponta falta de diálogo e problemas na frota
Entre as críticas dirigidas à atual direção, os bombeiros alegam falta de diálogo ao longo dos últimos três anos, contestam intenções relacionadas com nomeações para o comando e referem situações que classificam como exposição pública de elementos da corporação nas redes sociais.

Os signatários relatam também alegadas “mensagens intimidatórias e pressões”, afirmando dispor de registos de comunicações através do WhatsApp, e manifestam preocupação com a condução do processo eleitoral da associação.
A falta de investimento no Corpo de Bombeiros e o estado da frota operacional estão igualmente entre os pontos levantados. Na carta, é referido que a resposta a incêndios urbanos e industriais nos dois concelhos depende de uma viatura com cerca de 35 anos de serviço, cujo motor de arranque estará avariado há mais de seis meses, e de um veículo de desencarceramento com 24 anos.
Os bombeiros apontam ainda deficiências nas instalações do quartel, nomeadamente nos espaços de descanso, balneários e copa/cozinha, que consideram não reunir condições adequadas de habitabilidade, higiene e dignidade.
Signatários exigem demissão dos órgãos sociais
O prazo indicado para a apresentação de uma carta de demissão terminou às 17:00 de quarta-feira, 7 de outubro. O documento previa, caso a demissão não se concretizasse, a realização de uma ação pública de protesto, ressalvando expressamente que esta não representaria abandono do serviço nem paralisação do socorro.
“O serviço de emergência e proteção socorro à população de Vila Real de Santo António e Castro Marim continuará ininterruptamente assegurado nos termos da lei”, lê-se na carta subscrita pelos bombeiros.
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