O verão é sinónimo de mais tempo ao ar livre com os animais de companhia. Passeios prolongados, idas à praia e viagens em família multiplicam-se nesta altura do ano, mas também aumentam os riscos associados às temperaturas elevadas. Entre os vários cuidados recomendados pelos especialistas, há um teste simples de apenas cinco segundos que pode ajudar a proteger os cães de lesões que muitas vezes passam despercebidas.
Portugal é um dos países europeus com maior presença de animais de companhia nos lares. De acordo com a Executive Digest, existem cerca de 2,8 milhões de cães e 1,9 milhões de gatos no país, segundo os dados mais recentes divulgados pela Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Companhia (FEDIAF). Quando se juntam aves, peixes, répteis e pequenos mamíferos, o número total ultrapassa os cinco milhões.
O teste que pode fazer antes de cada passeio
Entre as recomendações apontadas pelos veterinários destaca-se uma verificação muito simples que qualquer dono pode realizar antes de sair de casa. A ideia é colocar o dorso da mão sobre o asfalto durante cinco a sete segundos.
Se o contacto for desconfortável ou impossível de suportar durante esse período, o pavimento estará demasiado quente para as patas do animal. Embora os cães tenham almofadas plantares resistentes, estas podem sofrer queimaduras provocadas pelo calor acumulado no alcatrão, sobretudo durante os dias de verão mais intensos.
O problema torna-se particularmente relevante nas horas centrais do dia, quando a temperatura do solo pode atingir valores muito superiores aos registados pelo termómetro. Em alguns casos, os danos nas patas só se tornam evidentes horas depois do passeio.
Por esse motivo, os especialistas aconselham que as saídas sejam feitas preferencialmente nas primeiras horas da manhã ou ao final da tarde, quando o pavimento já não acumula tanto calor.
Água, sombra e cuidados redobrados
A hidratação é outro dos aspetos essenciais durante os meses quentes. Os animais devem ter acesso permanente a água fresca, que deve ser renovada várias vezes ao longo do dia.
Durante passeios mais longos ou viagens, é aconselhável transportar água e disponibilizá-la regularmente. Pequenas pausas para descanso à sombra podem também ajudar a evitar situações de sobreaquecimento.
Existe ainda uma regra considerada fundamental pelos profissionais da área: um animal nunca deve permanecer fechado dentro de um automóvel. Mesmo quando o veículo está estacionado à sombra ou com as janelas parcialmente abertas, a temperatura interior pode aumentar rapidamente e atingir níveis perigosos em poucos minutos.
Praia e parasitas exigem atenção
As idas à praia exigem igualmente alguns cuidados adicionais. A ingestão de água do mar pode provocar vómitos, diarreia, desidratação e, em situações mais graves, intoxicação por excesso de sal. A ingestão de areia também pode causar problemas gastrointestinais e, em determinadas circunstâncias, originar obstruções intestinais.
Após os banhos, é aconselhável enxaguar o pelo com água doce e verificar cuidadosamente as orelhas e a pele do animal para detetar a presença de espigas ou outros elementos que possam provocar desconforto ou lesões.
O verão coincide ainda com uma maior atividade de pulgas, carraças e insetos transmissores de doenças. Em Portugal, a prevenção assume especial importância devido à presença da leishmaniose canina. Segundo a mesma fonte, os tratamentos antiparasitários devem manter-se atualizados de acordo com as indicações do médico veterinário, reduzindo assim o risco de infeções e complicações de saúde.
Os especialistas alertam também para os sinais de golpe de calor. Respiração excessivamente acelerada, salivação intensa, vómitos, desorientação, dificuldades de locomoção ou perda de consciência exigem resposta imediata. Nestas situações, o animal deve ser retirado da exposição ao calor, arrefecido de forma gradual e transportado com urgência para assistência veterinária.
















