As hortênsias são presença habitual em muitos jardins portugueses e, depois da floração de verão, setembro pode parecer uma boa altura para pegar na tesoura e deixar a planta novamente arranjada. No entanto, este gesto aparentemente inofensivo pode ter consequências meses mais tarde.
O problema está na poda. Algumas das variedades de hortênsia mais populares começam a preparar com bastante antecedência os botões responsáveis pelas flores da época seguinte.
De acordo com o guia da Royal Horticultural Society (RHS), cortar os ramos errados nesta altura pode, por isso, significar uma surpresa desagradável quando chegar a próxima floração: uma hortênsia cheia de folhas, mas com poucas flores ou mesmo sem as flores esperadas.
Não pode todas as hortênsias da mesma forma
Uma das principais dificuldades está no facto de existirem diferentes tipos de hortênsia e de nem todos produzirem flores nos mesmos ramos.
Algumas variedades florescem na chamada madeira velha. Isto significa que as flores do próximo ano surgem em ramos que cresceram durante a temporada anterior.
É precisamente aqui que uma poda tardia pode criar problemas. Se forem eliminados os ramos onde já estão a desenvolver-se os futuros botões florais, também estará a ser eliminada parte da floração seguinte.
Entre as hortênsias que podem florescer em madeira velha encontram-se muitas variedades de Hydrangea macrophylla, uma das espécies mais conhecidas e cultivadas em jardins.
Setembro pode ser demasiado tarde para pegar na tesoura
Depois de as flores perderem a cor, é natural pensar que chegou o momento de cortar a planta e prepará-la para o outono.
No entanto, especialistas em jardinagem alertam para a importância de conhecer primeiro a variedade que tem em casa.
Nas hortênsias que florescem em madeira velha, a poda deve geralmente ser realizada depois da floração e antes de a planta avançar demasiado na formação dos botões para a época seguinte.
Deixar uma poda mais intensa para setembro aumenta o risco de remover inadvertidamente esses futuros pontos de floração.
O erro pode só tornar-se evidente no próximo ano
Este é precisamente um dos motivos pelos quais o problema pode passar despercebido.
Depois de uma poda demasiado tardia, a hortênsia pode continuar aparentemente saudável. Produz folhas e novos crescimentos e não apresenta necessariamente qualquer sinal imediato de que algo correu mal.
A consequência poderá tornar-se evidente apenas quando chegar novamente a época de floração.
Se os ramos onde estavam os botões tiverem sido eliminados, a planta poderá produzir menos flores do que seria habitual.
E as flores secas devem ser cortadas?
Retirar flores já passadas não é necessariamente o mesmo que fazer uma poda profunda.
Dependendo da variedade, pode ser possível remover cuidadosamente determinadas flores secas sem cortar uma grande porção dos ramos.
Ainda assim, quando existe dúvida sobre o tipo de hortênsia existente no jardim, a opção mais prudente é evitar cortes agressivos durante esta fase.
Também não é necessário deixar a planta completamente abandonada. Ramos claramente mortos, partidos ou danificados podem exigir atenção, desde que seja possível distingui-los do crescimento saudável.
Nem todas as hortênsias seguem esta regra
Este ponto é particularmente importante.
Existem hortênsias que produzem flores em madeira nova, ou seja, nos ramos que crescem durante a própria temporada em que ocorre a floração.
É o caso de espécies como Hydrangea paniculata e Hydrangea arborescens. Nestas plantas, as regras e os momentos adequados para a poda são diferentes dos aplicáveis às hortênsias que florescem em madeira velha.
Por isso, seguir uma recomendação genérica encontrada na Internet sem saber qual é a variedade existente em casa pode acabar por fazer mais mal do que bem.
Como saber que hortênsia tem no jardim?
Uma das pistas está precisamente na forma como a planta floresce.
As Hydrangea macrophylla são muito comuns e incluem as conhecidas hortênsias com grandes conjuntos de flores arredondados, frequentemente em tons de azul, rosa, roxo ou branco.
Já as Hydrangea paniculata são facilmente associadas às suas inflorescências mais alongadas e em forma de cone.
Quando não é possível identificar a variedade com segurança, pode ser preferível esperar antes de realizar uma poda significativa.
Há outro cuidado importante em setembro
Além da tesoura, também é preciso ter atenção à fertilização.
Nesta altura do ano, estimular excessivamente a formação de novos rebentos através de fertilizantes ricos em azoto pode não ser desejável em determinadas hortênsias, sobretudo à medida que a planta começa a preparar-se para os meses seguintes.
A rega também não deve ser simplesmente abandonada porque o verão está a terminar. Se setembro continuar quente e seco, as hortênsias podem continuar a necessitar de água, especialmente quando estão expostas a períodos prolongados de calor.
O mais importante é observar as condições do solo e da própria planta em vez de seguir automaticamente o calendário.
O que fazer às hortênsias em setembro?
Se a hortênsia está saudável e não sabe exatamente qual é a variedade, setembro não é a melhor altura para começar uma poda agressiva apenas por razões estéticas.
Conhecer a espécie e perceber se floresce em madeira velha ou nova permite decidir quando e como cortar sem comprometer a floração.
Um simples corte feito no momento errado pode não matar a planta, mas pode retirar precisamente os ramos onde estavam a ser preparadas as flores que esperava encontrar no jardim no próximo ano.
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