Há quem aproveite as primeiras horas do dia para passear junto ao mar ou estender a toalha sobre a areia ainda fresca. Outros escolhem o final da tarde, quando o calor diminui e a praia fica mais tranquila. No entanto, nem todos os momentos passados à beira-mar são sinónimo de descanso. Por vezes, basta caminhar descalço durante alguns minutos para surgir uma sensação de ardor, comichão ou irritação inesperada. Em alguns casos, podem até aparecer pequenas manchas vermelhas ou borbulhas na pele.
De acordo com o Notícias ao Minuto, quando isso acontece, é comum pensar numa alforreca, numa reação à água salgada ou até no calor da areia. No entanto, a explicação pode ser outra. Segundo o Notícias ao Minuto, o responsável poderá ser um pequeno crustáceo chamado Talitrus saltator, conhecido popularmente como pulga-do-mar.
O que são as pulgas-do-mar?
Com cerca de 2,5 centímetros e um aspeto quase transparente, este pequeno crustáceo torna-se mais ativo durante os dias de calor e sol. Nos meses mais frios, entre outubro e março, permanece em hibernação, voltando a surgir quando as temperaturas aumentam.
De acordo com o dermatologista Marc Perrussel, do Centro Hospitalar Universitário de Rennes, estes animais escavam galerias na areia para se protegerem da exposição solar e conservarem a humidade. Graças à sua capacidade de saltar, acabam por atingir frequentemente os pés, tornozelos e pernas de quem caminha descalço perto da linha de água.
Encontram-se em várias praias portuguesas
Durante o verão, as pulgas-do-mar são comuns em praias portuguesas, sobretudo em zonas onde existe areia húmida e acumulação de matéria orgânica junto à maré. Apesar de muitas vezes serem confundidas com insetos, tratam-se de crustáceos presentes em diversos pontos do litoral nacional, do Norte ao Algarve.
A sua atividade intensifica-se normalmente no início da manhã e ao final da tarde, períodos em que a luz solar é menos intensa. Embora não constituam um risco significativo para a saúde, estão frequentemente associadas a episódios de irritação cutânea e comichão, especialmente entre pessoas que permanecem descalças na areia durante períodos prolongados.
Podem provocar irritação e reações na pele
As picadas podem desencadear diferentes reações. Entre as mais comuns estão manchas avermelhadas, borbulhas, comichão intensa e inchaço localizado. Em pessoas mais sensíveis, existe também a possibilidade de ocorrer uma reação alérgica mais acentuada ou até uma infeção.
O dermatologista aconselha a evitar coçar a zona afetada. Para aliviar os sintomas, podem ser utilizados anti-histamínicos. O gel de aloe vera e alguns óleos essenciais, como o de lavanda, também são apontados como opções para reduzir a irritação.
Estes crustáceos concentram-se sobretudo junto a rochas e acumulações de matéria orgânica, alimentando-se essencialmente de algas. Apesar de poderem ser encontrados durante todo o dia, tendem a evitar a luz solar direta, sendo mais ativos nas primeiras horas da manhã e ao entardecer.
Por esse motivo, quem costuma passear junto ao mar nesses períodos deve considerar o uso de calçado adequado, como sapatilhas ou sandálias fechadas. Segundo a mesma fonte, o óleo de coco poderá ainda funcionar como repelente natural devido ao seu odor.
O perigo aumenta fora da Europa
Embora as espécies encontradas em praias europeias sejam consideradas pouco perigosas, existem variantes semelhantes em regiões tropicais e subtropicais que exigem maior atenção. Uma delas é a Tunga penetrans, conhecida como pulga-da-areia, presente em zonas das Antilhas, África, América do Sul e Madagáscar.
Segundo Marc Perrussel, estes parasitas de dimensões microscópicas, com cerca de um milímetro, conseguem penetrar na pele, sobretudo através da planta dos pés ou junto às unhas, onde depositam os ovos. A situação pode originar infeções graves, inflamação local e, em casos mais severos, necrose.
Nestes casos, o especialista recomenda acompanhamento médico imediato. Entre os principais sinais de alerta estão o inchaço, a dor localizada e o aparecimento de manchas castanhas ou avermelhadas, frequentemente com um pequeno ponto branco no centro.
Tal como refere a mesma fonte, após um dia de praia é aconselhável remover bem a areia do corpo, evitar transportar toalhas cheias de areia para casa e não se deitar diretamente sobre a areia. Pequenas precauções que podem ajudar a evitar incómodos inesperados.















