Há uma fruta comum que faz parte da alimentação de milhões de pessoas e que pode ter um impacto mais relevante na saúde cardiovascular do que muitos imaginam. De acordo com a revista Women´s Health, especializada em lifestyle, uma investigação conduzida por cientistas britânicos concluiu que o consumo diário desta fruta está associado a uma redução do colesterol LDL, conhecido como colesterol “mau”, bem como a melhorias em alguns indicadores relacionados com a circulação sanguínea. A fruta em causa é a maçã.
O estudo foi conduzido pela Universidade de Reading, no Reino Unido, em parceria com a Fundação Edmund Mach, em Itália. Os investigadores procuraram avaliar até que ponto o consumo regular de maçãs poderia influenciar fatores associados ao risco cardiovascular, recorrendo para isso a uma variedade italiana particularmente rica em polifenóis.
A investigação envolveu 43 adultos saudáveis, com idades compreendidas entre os 29 e os 69 anos, todos com níveis ligeiramente elevados de colesterol. Antes do início da experiência, os participantes seguiram um período de adaptação alimentar destinado a tornar os resultados mais consistentes e comparáveis.
Maçã inteira ou bebida de fruta?
Concluída essa fase inicial, os voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles passou a consumir diariamente duas maçãs da variedade Renetta Canada, cultivadas na região italiana de Trentino. As maçãs eram ingeridas com casca, mas sem sementes.
O segundo grupo recebeu diariamente 500 mililitros de uma bebida preparada com sumo de maçã concentrado, água e açúcar. A composição foi calculada para garantir um teor de açúcar equivalente ao das duas maçãs consumidas pelo primeiro grupo.
Com esta comparação, os investigadores pretendiam perceber se os possíveis efeitos positivos resultavam apenas do açúcar naturalmente presente na fruta ou se outros componentes nutricionais desempenhavam um papel mais importante.
Ao longo de oito semanas, os participantes mantiveram os hábitos alimentares definidos pela equipa de investigação. No final do período de observação começaram a surgir diferenças claras entre os dois grupos.
O que revelou a investigação
Os participantes que consumiram as duas maçãs por dia apresentaram uma redução dos níveis de colesterol LDL. Além disso, registaram melhorias na vasodilatação microvascular, um indicador utilizado para avaliar a capacidade dos pequenos vasos sanguíneos se expandirem adequadamente e facilitarem a circulação do sangue.
No grupo que consumiu a bebida à base de sumo de maçã, os investigadores não observaram alterações relevantes nos mesmos parâmetros cardiovasculares.
A explicação poderá estar na própria composição nutricional dos alimentos analisados. Enquanto duas maçãs forneciam cerca de 8,5 gramas de fibra e 990 miligramas de polifenóis, a bebida continha apenas 0,5 gramas de fibra e 2,5 miligramas daqueles compostos.
Os polifenóis são substâncias naturalmente presentes em vários alimentos de origem vegetal e têm sido alvo de diversos estudos científicos devido ao seu potencial efeito antioxidante. Neste caso, os investigadores admitem que a combinação entre fibra e polifenóis poderá ter sido determinante para os resultados observados.
A ligação ao microbioma intestinal
O trabalho sugere também que alguns dos benefícios identificados podem estar relacionados com o microbioma intestinal, o conjunto de microrganismos que habita o sistema digestivo humano.
Segundo os autores da investigação, os polifenóis presentes na maçã podem originar compostos capazes de interagir com mecanismos biológicos ligados à regulação do colesterol e à saúde cardiovascular. Entre esses mecanismos encontram-se processos associados à sinalização de ácidos biliares e de ácidos fenólicos, que desempenham diferentes funções no organismo.
Embora os resultados sejam considerados promissores, os investigadores sublinham que ainda há questões por esclarecer. Estudos futuros deverão aprofundar a forma como estes compostos atuam e de que modo a interação com o microbioma intestinal pode contribuir para os efeitos observados.
Segundo a mesma fonte, futuras investigações poderão também comparar diferentes métodos de produção e variedades de maçã, incluindo fruta proveniente de agricultura biológica. Para já, os resultados publicados no American Journal of Clinical Nutrition reforçam a ideia de que a fruta consumida na sua forma natural poderá oferecer vantagens que não são reproduzidas por bebidas processadas, mesmo quando estas apresentam uma quantidade de açúcar semelhante.
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