A subida dos preços das passagens aéreas poderá começar a sentir-se ainda este ano, com a easyJet a antecipar aumentos a partir do final do verão. A indicação foi dada pelo CEO Kenton Jarvis, que relaciona esta evolução com o impacto da guerra no Médio Oriente e com os custos do combustível.
De acordo com a agência de notícias Reuters, o responsável explicou que a companhia tem recorrido a mecanismos de proteção do preço do combustível, mas esses contratos começarão a expirar nos próximos meses, expondo a empresa às variações do mercado.
Pressão do combustível no setor
“A realidade é que os preços começarão a ser repassados ao consumidor no final do verão”, afirmou Kenton Jarvis, citado pela mesma fonte, durante a inauguração de uma nova base da companhia no aeroporto de Newcastle.
O combustível representa cerca de um terço dos custos das companhias aéreas e, segundo a mesma fonte, várias transportadoras europeias já admitem aumentos, entre elas a Air France-KLM e a SAS, enquanto a Finnair alertou para riscos no abastecimento.
Mudança nas preferências de viagem
O impacto do conflito já está também a alterar os padrões de reserva. Conforme a mesma fonte, destinos como Turquia, Egito e Chipre registam uma quebra na procura. “O Mediterrâneo Oriental é menos popular, o Mediterrâneo Ocidental é mais popular”, explicou o CEO, acrescentando que países como Espanha estão a beneficiar deste desvio na procura.
Para já, a companhia não alterou a sua capacidade total, mas poderá ajustar frequências em rotas com menor procura. Segundo a mesma fonte, essa decisão será tomada sobretudo em destinos com vários voos diários. Kenton Jarvis indicou ainda que a empresa não enfrenta problemas imediatos de abastecimento e continua a gerir a volatilidade com “gestão de custos como de costume”.
Proteção parcial e cenário incerto
No início do ano, a easyJet assegurou parte significativa das suas necessidades de combustível. De acordo com a Reuters, estavam protegidos 84% do consumo para o primeiro semestre de 2026, descendo para 62% no segundo semestre e 43% em 2027.
Apesar disso, a evolução do conflito mantém-se imprevisível. O responsável recordou, conforme a mesma fonte, que a guerra na Ucrânia provocou uma quebra de cerca de seis semanas nas reservas, um cenário que poderá repetir-se.
A guerra, que entrou na quarta semana, já influencia diretamente o comportamento dos passageiros. Segundo a mesma fonte, episódios como o ataque a uma base militar britânica no Chipre contribuíram para a redução da procura na região.
Com o fim das coberturas de combustível e a incerteza geopolítica, o setor prepara-se para meses de ajustamento, em que os preços poderão refletir de forma mais direta os custos operacionais.
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